Tábua Santista
A primeira prancha brasileira
Por Junior Faria em 20/08/17
Junior Faria conta a história da primeira prancha de surfe do Brasil, feita em Santos, em 1935.

Quando Thomas Rittscher construiu uma prancha havaiana em Santos, em 1935, não imaginava que deslizar sobre as ondas seria um dos esportes mais praticados no Brasil e no mundo. ‘Tábua Santista’ conta a história da primeira prancha de surfe do Brasil, por meio de uma réplica da prancha pioneira construída por três amigos santistas, 80 anos depois que os irmãos Rittscher surfaram pela primeira vez, marcando o início do surfe no país.

Fiz este documentário como TCC na faculdade de Jornalismo. Sempre quis produzir algo sobre este tema e a tese de conclusão do curso foi a desculpa perfeita para entrar de cabeça nessa história.

O documentário conta uma das histórias sobre o início do surfe no nosso país. Durante a pesquisa para concretização do roteiro desse filme, passamos a conhecer diversas histórias que também fazem parte do estopim inicial do esporte no Brasil. Mas decidimos seguir por esta vertente porque está melhor amparada por fatos e depoimentos de diversas fontes diferentes. Características fundamentais de um trabalho jornalístico.

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Thomas Rittscher em ação nos anos 30, em Santos (SP). Foto: Arquivo pessoal.

 

O filme foi realizado com o intuito de difundir nossa cultura e levantar fatos importantes que contribuíram para o estabelecimento do esporte em águas brasileiras. Thommas e Margot Rittscher, assim como Osmar Gonçalves, Jua Haffers e Julio Puls, formam a primeira geração de surfistas do Brasil e o filme Tábua Santista registra um pedaço desta história. O documentário é, acima de tudo, uma homenagem a todos os pioneiros do surfe nacional.

Tomo emprestadas as palavras do professor Marcus Vinicius Batista, que publicou a seguinte crítica sobre o filme em sua coluna semanal no jornal BoqNews:

 

“Recontar a história da primeira prancha está acima de se prender aos fatos ou às polêmicas sobre os donos do pioneirismo. A primeira prancha é o Santo Graal de uma cultura litorânea, capaz de explicar o relacionamento quase religioso com o mar, e muitas vezes relegada aos guetos e à ilusória segmentação diminutiva. O filme esbarra, numa interpretação livre, no totem que todos precisamos preservar. A ausência de ondas, em termos simbólicos, nos aponta que não precisamos saber surfar. Não precisamos deslizar sobre pranchas para compreender que esta cultura também nos faz ratos de praia. Thomas ou Osmar, santistas ou cariocas, prancha de madeira ou de resina, o surf é uma ferramenta cultural tão sólida e pesada quanto o protótipo número zero.”

Texto originalmente publicado em Jr.Faria Surfboards.

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