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Ryan Kainalo
Coleção de títulos
Por Adrian Kojin em 02/12/17
O que você colecionava aos 11 anos? Ryan Kainalo acumula troféus.
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Ryan Kainalo sagrou-se tricampeão paulista no Hang Loose Surf Attack, circuito que revelou os três maiores talentos do surfe brasileiro na atualidade: Gabriel Medina, Adriano de Souza e Filipe Toledo. Foto: WSL / Munir El Hage.

 

Você já ouviu falar de Ryan Kainalo? Caso sua resposta seja sim, é prova de que está antenado na novíssima geração de talentos brasileiros que tem como objetivo um dia fazer parte do CT e brigar por um título mundial. Se você respondeu não, dá até pra entender, já que Ryan é tão novo - ele só tem 11 anos de idade - que pode até parecer precipitado estar dando tamanha atenção a ele.

É claro que só o tempo vai dizer se o jovem surfista paulistano - é isso mesmo, ele é de São Paulo capital - vai confirmar o que os seus resultados estão indicando agora. Mas se olharmos para sua surpreendente e vitoriosa trajetória desde que começou a competir pra valer, aos 8 anos de idade, muitas vezes vencendo também em categorias acima da sua, não tem como não dizer que estamos diante de um talento diferenciado, daqueles que, mesmo num país repleto de excelentes surfistas como o Brasil, não surgem a toda hora.

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Competindo no RDS Pro Junior na Guarda do Embaú, evento que reuniu os melhores surfistas até 18 anos da América do Sul, Ryan Kainalo só perdeu nas quartas de final para o vencedor do campeonato, Matheus Herdy. Foto: WSL / William Zimmermann.

 

Em 2017, Ryan venceu inúmeros campeonatos no Brasil e ganhou experiência internacional conquistando títulos também na Costa Rica e África do Sul. E para fechar da melhor maneira possível um ano tão produtivo, ele teve um excelente resultado no RDS Pro Junior, na Guarda do Embaú, chegando às quartas de final no evento em que os 51 melhores surfistas da América do Sul até 18 anos de idade disputavam vagas para o Mundial Pro Junior na Austrália. Ryan só perdeu para Matheus Herdy, que acabaria vencendo o campeonato.

 

Na semana seguinte, ele confirmaria na praia do Tombo, na Guarujá, sua condição de sensação do ano, conquistando ainda outro grande resultado na 4ª etapa do Hang Loose Surf Attack, o mesmo circuito que revelou os três maiores nomes do surf brasileiro na atualidade, Gabriel Medina, Adriano de Souza e Filipe Toledo. Ryan faturou as categorias Estreante (Sub-12) e Iniciante (Sub-14), e também chegou à semifinal da Júnior, para os competidores com até 18 anos.

Com este desempenho dominante, sagrou-se campeão paulista Estreante, enfileirando seu terceiro título seguido, já que havia sido bicampeão paulista Petit (Sub-10) nos dois últimos anos. Defendendo a equipe de Ubatuba, ele colaborou decisivamente para que a cidade do litoral norte paulista fosse campeã da etapa e estadual, ao marcar 2.565 pontos dos 4.642 que o time somou no evento, ou seja, 57% do total.

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Com o objetivo de ganhar experiência internacional, Ryan Kainalo começou a viajar cedo para treinar em picos do Circuito Mundial como Jeffrey's Bay. Foto: WSL / Alex Miranda.

 

Devido à sua precocidade, Ryan já conta com um plano de carreira, algo inusitado para um surfista tão novo, e que vai exigir dele muita dedicação e prevê algumas mudanças substanciais na sua rotina atual. Filho de um respeitado surfista de São Paulo, Alex Miranda, ele vive longe da praia, entre a casa do pai e da mãe, que são separados, surfando nos finais de semana e nas duas idas que faz no meio da semana ao Guarujá para treinar sob a tutela do bicampeão brasileiro e ex-membro do CT, Jojó de Olivença. Mas a partir do ano que vem, ele vai passar a morar com os avós em Ubatuba, para poder estar mais perto do mar.

A decisão obviamente foi tomada em conjunto com a família, mas tratou-se de uma iniciativa do próprio Ryan, totalmente focado no seu objetivo de ser campeão mundial, como ele deixa claro na entrevista a seguir. Na sua linguagem simples e direta de menino, ele demonstra também que já está dominando uma parte importante do ofício de esportista profissional, que é responder a jornalistas com segurança e desenvoltura.

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Ryan Kainalo tem no pai, Alex Miranda, sua grande inspiração, técnico e companheiro de viagens. Em julho passado eles aproveitaram as férias escolares para irem juntos a Bali. Foto: WSL / Alex Miranda.

 

Você começou a surfar com quantos anos e onde?

 

Entre 3 e meio e quatro. Numa das primeiras vezes que fui para o Havaí, meu pai me botava na prancha no mar e ensinava parado. Comecei a ficar em pé e surfar a onda em Itamambuca.

O primeiro campeonato foi com que idade? Você já estreou vencendo ou isso é mais recente?

 

Competi com 7 anos e perdi de cara, foi um campeonato municipal de Ubatuba, depois fiquei um ano sem competir, só treinando. Ai competi num campeonato em que fiz semifinal e foi isso que começou a me inspirar a conseguir bons resultados.

Você mora em São Paulo?

 

É, mas o ano que vem vou morar em Ubatuba.

Como é ser um surfista de São Paulo, uma cidade sem praia, competindo contra a garotada que mora na praia?

 

Na real, todo semana eu ia para o Guarujá fazer um bate e volta para treinar, e ainda faço, mas não se compara com surfar todo dia, estar ali em frente ao mar, mas eu não levei isso em conta, tentei ir de igual para igual e acabou dando certo.

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A praia da Ferrugem foi apenas um dos picos em que Ryan Kainalo venceu em 2017, ano em que manteve um aproveitamento excepcional, fazendo com que a mídia especializada passasse a prestar cada vez maior atenção nele. Foto: WSL / Alex Miranda.

 

E quando você não está surfando, o que você faz?

 

Com oito anos eu jogava bola, jogava muito bem, competia às vezes. Fiquei jogando bola e surfando por uns dois anos, até que comecei a conhecer os surfistas, Gabriel Medina e John John, comecei a ver videos, e queria fazer igual eles, então eu parei de jogar futebol, parei de fazer todas as aulas que fazia e comecei a querer surfar mais, ficar mais tempo surfando, treinando, colar vários adesivos na prancha, e foi isso ai que começou. Eu queria surfar cada vez melhor e seguir treinando.

Como você conseguiu seu primeiro patrocínio?

 

Primeiro patrocínio mesmo de bico foi a Billabong, que faz um ano e meio. Os outros, G-Shock, Broou, CT Wax, foram vindo depois, e de prancha ainda não é muito certo. A Mayhem me dá algumas pranchas, mas nada muito sério.

Teu pai, apesar de não ser surfista profissional, sempre competiu. Ele de alguma maneira foi uma inspiração pra você?

 

Meu pai com certeza foi uma inspiração, por mais que todo mundo na minha família surfasse, minha mãe, meu irmão, ele sempre estava ali no pódio, todo final de semana ele tinha campeonato. Ele me levava, às vezes ganhava, sempre ia pra final, sempre subia no pódio, eu sempre gostava de subir no pódio com ele, pegar o troféu dele e sair na foto junto com todo mundo.

Ele vai todo ano pro Havaí, há muitos anos, você sempre vai com ele?

Sempre fui com ele, a família, meu pai, meu irmão, sempre foi muito irado, todo ano era um aprendizado novo.

No Havaí então você tem uma boa experiência comparada a outros meninos da sua idade?

É, eu diria que é uma experiência a mais por conhecer ondas mais fortes, ondas perfeitas, novos lugares, conhecer os filhos dos surfistas locais.

Qual onda você costuma surfar no Havaí?

A casa que a gente fica lá é em frente a Velzyland, então é o pico que eu mais caio, mas quase que se iguala a Rocky Point, Off The Wall, às vezes Sunset.

Já deu uma queda em Pipeline, para dar uma sentida?

Já, umas duas ou três vezes, mas tava pequeno o mar, 1 metro.

O que você mais gosta numa onda, que seja boa para fazer manobras, entubar?

Gosto de todos os mares, mas o que eu prefiro é fazer uma onda boa e grande, não tão grande, mas de uns dois metros, tipo Sunset, uma direita perfeita, que precisa ter atitude, precisa dropar rápido, tirar um tubo no final. É uma onda muito boa, mas também gosto de ondas mais performance, pra aéreos, manobras mais inovadoras, gosto bastante dos dois tipos.

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Frequentador do North Shore desde quando subiu numa prancha de surfe pela primeira vez, aos 3 anos, Ryan Kainalo já pegou o gosto pela força das ondas havaianas. Foto: WSL / Alex Miranda.

 

Como funciona o bate e volta que você faz durante a semana para treinar com o Jojó no Guarujá?

Vou pro Guarujá toda terça e quinta, chegando lá eu chamo ele, ai ele fala onde é o melhor pico, ele vai lá e me treina.

Como é esse treino? Ele analisa sua manobras, te orienta sobre posicionamento na prancha...

Por ele ser um surfista mais experiente, já ter competido no CT, me passa várias dicas, fala onde tenho que melhorar, ele faz umas baterias, faz meu treinamento pra campeonato, vai me dando dica do que ele usava.

O Jojó não te acompanha em campeonatos, isso é seu pai que faz, certo?

Em campeonatos o Jojó vai se é no Guarujá. Meu pai que me leva a todos os campeonatos, e sempre vai estar ali comigo.

Ele é seu técnico na linha do Charles com o Medina, do Ricardinho com o Filipinho?

É tipo isso, meu técnico, ao mesmo tempo pai, e acho que isso é uma coisa boa, porque ele conhece as coisas que eu gosto, eu conheço as coisas que ele gosta, ele sempre vai poder me dar uma dica, e tem aquela coisa a mais de pai e filho, que ele pode ser bem sincero, falar coisas que um técnico não falaria.

 

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Convidado por seu patrocinador para competir em Seal Point, na África do Sul, em outubro passado, Ryan Kainalo ficou em primeiro lugar na categoria Sub 12 do Billabong Junior Series, e em terceiro na Sub 18. Foto: WSL / Thurtell.

 

Foi de um ano pra cá que você passou a chamar mais a atenção, ganhando praticamente todos campeonatos que entrou...

Do meio do ano passado até hoje eu devo ter competido nuns 100 campeonatos, 90% ganhei e os outros que eu não ganhei foram resultados bons. Sempre era difícil mas eu dava meu melhor, achava algumas ondas boas, ia fazendo bateria por bateria e ia dando certo, e era muita dedicação para quem mora em São Paulo.

Em vários destes campeonatos você competiu contra surfistas mais velhos e venceu...

Agora estou começando a correr o Pro Junior, corri um Pro Junior na Guarda, o RDS, e foi o melhor resultado da minha carreira até agora. Competir com um ídolo que é o Matheus Herdy foi muito bom, ganhar experiência, ver como ele se posiciona na bateria ao vivo, na hora, contra você. Eu não estava nem preocupado, já era um bom resultado ter chegado às quartas de final. Perdi a bateria e fiquei por uma vaga de me classificar para o Mundial Pro Junior. Ele surfou muito, eu não achei as ondas, mais foi irado, fiquei muito feliz.

Qual o surfista que você mais se espelha?

Gosto muito do Gabriel, do Jordy Smith e do John John.

Quem você acha que vai ganhar o título mundial?

Acho que o Gabriel Medina vai ser campeão mundial de novo, tá surfando muito.

Teu sonho como carreira é chegar ao CT?

Dois sonhos, primeiro é entrar no CT, e o segundo sonho é ser campeão mundial, que acho que é o sonho de todo surfista. É isso, vamos em frente, vamos ver no que dá..

 

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Seguindo na linha de parceria entre pai e filho que tem funcionado tão bem para outros surfistas de sucesso brasileiros, Ryan Kainalo tem total confiança em seu pai, Alex Miranda, para conduzir sua carreira. Foto: WSL / Alex Miranda.

 

Você disse que vai mudar pro litoral no ano que vem, vai morar em Ubatuba?

Vou morar em Ubatuba, depois de um ano conversando com a minha família, dizendo que tinha que treinar mais, tinha que estar ali podendo surfar todo dia e podendo botar mais a prancha no pé. Ai a gente decidiu que eu vou morar na praia, agora eu já estou matriculado numa escola, já tudo pronto. Vou morar com minha avó e meu avô.

E foi difícil convencer seus pais?

Então, por eu ser tão novo, fui eu que tive essa ideia de morar na praia, eu tinha dez anos e fiquei falando pro meu pai, e meu pai concordou. Ai tem aquela saudade de mãe, de querer que o filho fique, eu também sabia que ia sentir saudades, mas que ia ser melhor para a minha carreira, então chegamos à conclusão de que ia morar lá.

Pelo jeito você já está se acostumando com entrevistas, tem dado muitas?

Tenho dado bastante entrevista por aí, qualquer campeonato querem pegar entrevista para botar no site.

 

Matéria originalmente publicada em World Surf League.

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