Rusty Torsion Spring
Novidade no mercado
Por Edinho Leite em 30/01/17
Pedro Bataglin explica a nova construção desenvolvida pela Rusty, lançada mundialmente.
Uma prancha sempre viva, que responde à pressão exercida sobre ela devolvendo energia, como uma mola. Kevin Schulz se deu bem no test drive. Foto: Tim Mccaig
Uma prancha sempre viva, que responde à pressão exercida sobre ela devolvendo energia, como uma mola. Kevin Schulz se deu bem no test drive. Foto: Tim Mccaig

Esse tipo de construção em EPS/Epoxy deve funcionar bem em nossas ondas. A prancha é muito leve e apresenta uma flexibilidade diferente das pranchas convencionais. Conversamos com o shaper Pedro Bataglin, da Rusty sobre o lançamento do modelo Rusty Torsion Spring.

Qual o conceito da tecnologia nessas pranchas?

Chamamos essa tecnologia de "Torsion Spring". O fato motivador de nossa busca, independente da resistência ou cosmética, foi a flexibilidade. Queríamos uma prancha que, quando pressionada, respondesse com um "spring back" maior, ou seja, ela devolve a energia que acumula quando se exerce pressão sobre ela, numa curva, por exemplo. Queríamos uma prancha com esse comportamento vivo, sempre cheia de energia, sempre pronta para uma virada, uma puxada, sem parecer morta em algum ponto da onda.

O EPS normal apresenta esse problema de não devolver energia, não?

Exatamente. Por isso a primeira coisa que fizemos foi tirar a longarina. Ela divide a prancha em duas bandas que não conversam uma com a outra. Quando você faz uma curva, fazendo uma pressão danada, uma das bandas torce, mas essa torção tem que passar para o outro lado da prancha e isso não acontece por conta da longarina. Daí, para manter a resistência da prancha, trabalhamos com as fibras. O carbono se mostrou muito rígido e acabaria com a vida da prancha. O Kevlar (nome de uma marca para uma fibra sintética de aramida muito resistente e leve) puro não funcionou, mas a composição de Kevlar e carbono mostrou uma flexibilidade muito boa e ótima resistência à ruptura. Começamos a trabalhar com essa composição de fibra e aí fomos procurar o EPS adequado.

O EPS que vocês utilizam é diferente do normalmente usado?

O EPS normal tem alta absorção de água e bóia demais, não permitindo que a prancha penetre da maneira que gostamos na água, perde-se o drive. Isso tudo não é legal. O PU também não funcionou como queríamos quanto à flexibilidade, foi horrível. Daí descobrimos esse bloco com basicamente 0% de absorção de água, com células fechadas, bom de shapear. Testamos e foi uma ótima surpresa. Então, passamos a fazer a laminação a vácuo, no intuito de retirar o excesso de resina e poder carregar mais nas fibras, usando na composição, inclusive, um tecido biaxial, que normalmente absorveria muita resina se laminado só manualmente. A conseqüência disso tudo é que conseguimos uma prancha super resistente e com a flexibilidade que queríamos. Há mais custos envolvidos, mas o produto tem realmente um diferencial interessante.

E veremos todos os modelos da Rusty com essa tecnologia?

A princípio, oferecemos essa tecnologia em três modelos, nos EUA, mas como não são pranchas de molde, não há limites, podemos usar essa tecnologia para qualquer modelo que a gente quiser. Ou seja, teremos esses modelos em estoque, mas se alguém quiser uma custom made com essa tecnologia, podemos fazer. Por aqui continuaremos produzindo na Pro-Ilha. Importar as pranchas prontas inviabilizaria a comercialização.

E esse EPS virá para ser shapeado aqui?

O mesmo importador que nos fornece a resina (Sicomin, francesa), que é muito boa, também trará esses blocos dos EUA. A prancha feita com essa resina já apresenta uma flexibilidade diferente e permanece branca por muito tempo. Mas o mais importante é que ela guarda a mesma flexibilidade, sem alterações. Ela vai custar um pouco mais, porém o custo benefício vale a pena pois, mesmo três anos depois, ela ainda apresentará aquela sensação de nova, mantendo as mesmas características.

O Jordy Smith ter vencido em Trestles (WSL - 2016) com uma prancha de EPS abriu caminho?

O bacana é que está abrindo. Estamos aprisionados pelo PU/Poliéster, com longarina no meio, há 60 anos! Poucos esportes evoluíram seu equipamento tão pouco quanto o surfe.

O EPS vai dominar o mundo?

Há toda uma discussão sobre pranchas ecológicas rolando. Nossa indústria ainda é altamente poluente. O futuro das pranchas pode passar por aí, pelo EPS/Epoxy. Pode não ser a solução definitiva, mas pela qualidade e menos agressividade ao meio ambiente que essa fórmula proporciona, temos certeza de que é uma forte tendência.

 

The best is yet to come... #torsionspring coming in #february

Um vídeo publicado por rustysurfboards (@rustysurfboards) em Jan 27, 2017 às 6:12 PST

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