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Do Metallica para as ondas
Por Jesse Faen em 03/09/16
Rob Trujillo, baixista do Metallica, fala sobre sua relação com a música e o surfe.
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Um dia perfeito para Trujillo sempre envolverá o fato de estar na água. Foto: WSL / @davyj0nes.

 

Rob Trujillo já surfou no mundo inteiro, mas foram suas habilidades musicais, não o seu surfe, que abriram o caminho. Trujillo cresceu em Los Angeles, onde acabou tocando em bandas como Suicidal Tendencies, Infectious Grooves, Ozzy Osbourne, e nos últimos 13 anos, no Metallica. A banda agora reside no Rock n’ Roll Hall of Fame.

 

Apesar de ser uma carreira que, frequentemente, o deixa sem acesso ao mar por meses, Trujillo continua a ser um alucinado pelo surfe, de coração.  

 

Quais foram as suas primeiras influências no surfe?

 

Eu costumava ler uma revista local da Califórnia chamada “Breakout”, que mostrava principalmente os surfistas e skatistas locais de LA e do Sul da Califórnia. Grandes lendas locais como o falecido Jay Adams, Allen Sarlo, John McClure, e alguns surfistas de South Bay, como Kelly Gibson – que agora está no comando da Rip Curl. Eu me lembro de ter visto Sarlo passeando em seu Mercedes Benz Conversível azul no quebra-mar de Venice. Ele acenou para nós e ficamos amarradões. Ele ainda quebra no surfe.

 

Onde você aprendeu a surfar?

 

Minha primeira onda foi uma esquerda na altura da cintura ao lado norte do quebra-mar de Venice. Eu nunca vou me esquecer daquela sensação. Acho que todos nós nos lembramos da nossa primeira onda.  

 

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Rob Trujillo surfando em Bells Beach durante uma recente passagem na Austrália. Foto: WSL / Steve Ryan.

 

Quando e como sua carreira musical começou?

 

A música sempre esteve ao meu redor, pois meus pais ainda eram jovens o suficiente para festejar e dançar todos os estilos musicais. Foi nos anos 70, então era um mundo mais funk na época em nossa casa. Jazz, Rock, R&B e até música clássica! Meu pai tocava violão flamenco, que é de onde veio a minha técnica para dedilhar no baixo, de vê-lo tocar. Mas as bandas de funk rock pesado dos anos 70 realmente me inspiraram a tocar baixo elétrico, desde Led Zeppelin e Black Sabbath, ao James Brown e até Parliament Funkadelic.

 

No final dos anos 70 e início dos 80, eu realmente entrei no Jazz Rock, mais conhecido como “Fusion”, pois o baixo elétrico tornou-se um instrumento mais evidente, o que incluía solos de baixo, e foi aí que eu descobri Jaco Pastorius da banda Weather Report. Eu eventualmente fiz um documentário sobre Jaco, que levou seis anos para firca pronto. Na verdade, foi o oceano que nos ajudou a levar o filme para a linha de chegada. Meu diretor, Paul Marchard, é surfista, e surfar era a nossa melhor forma de comunicação – lá fora, sob o sol na água salgada, pegando ondas, trabalhando. A filmagem de um Doc é um desafio enorme.

 

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Rob Trujillo e sua outra paixão: a música. Foto: WSL / jeff@metclub.

  

Como você dividia o seu tempo entre o surfe e a música quando criança?

 

Eu cresci no lado Oeste de Los Angeles, onde o surfe e a música andam de mãos dadas. A maioria dos meus amigos músicos eram punks, skatistas ou surfistas, que amavam música e tinham suas próprias bandas. Então havia uma energia inspiradora para fazer os dois – muitas festas no quintal e brigas, tudo perto da praia.

 

Aos 17 anos eu tinha um professor de baixo, Brad Cummings, de Hermosa Beach. Ele destrói no baixo e ainda quebra em uma pranchinha. Nós nos reunimos nos últimos tempos. Ele tem uma escola de música, uma escola de rock para jovens músicos em Long Beach. Ele é uma lenda para mim, máximo respeito. De qualquer forma, eu quase sempre pensava em sons e batidas de bateria quando estava na água, então eu levei a minha música para o mar comigo.

 

Quanto tempo você tem disponível para surfar atualmente?

 

Eu surfo sempre que possível quando estou em casa. Tenho 52 anos agora, e eu sinto que estou surfando melhor do que nunca, então enquanto meu corpo aguentar estarei lá... (risos).  

 

Você e Kirk Hammett (guitarrista do Metallica) conseguem surfar quando estão em turnê?

 

Este é sempre o nosso objetivo, encontrar ondas pela turnê. Quando estamos na Europa, se os shows oferecem uma oportunidade de serem em uma cidade de praia como Biarritz na França, ou Caiscais em Portugal, nós estamos sempre lá! Na Austrália é como uma turnê de surf com alguns shows na mistura... (risos)

 

É engraçado porque Kirk e eu nos conectamos muito através do surf e foi assim que eu tive a oportunidade de ter uma audição. Na verdade, quando eu recebi o telefonema para tocar junto com o Metallica eu estava em uma surf trip de duas semanas no Tahiti. Imagine checar seu correio de voz e escutar essa mensagem do outro lado do Oceano Pacífico, “Hey Rob, venha tocar pra cara*** com o 'Tallica'”.

 

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Rob Trujillo e seu companheiro de banda, o guitarrista Kirk Hammet. Foto: WSL / Pat Stacey.

 

Curioso para saber, com quais surfistas você fez amizade ao longo dos anos?

 

Na Austrália eu ainda sou muito próximo do Jay Phillips e Sam Carrier da Billabong, que mora em Hossegor, França. Christian Fletcher é um bom amigo; nós costumávamos andar muito de snowboard juntos também. Também sou próximo de alguns profissionais locais daqui de LA. Eu recentemente surfei com Brad Gerlach em Topanga. Ele sempre foi muito legal comigo.

 

Você sempre se manteve saudável. O que você faz para ficar em formar para sua vida de turnê?

 

Conforme você envelhece você precisa escutar o seu corpo, o que significa abraçar as transições e mudanças que a vida joga em você. Eu gosto de corridas e exercícios no campo, mas sem pesos mais pesados. Eu ainda estou me recuperando de anos de treinos peso pesado quando estava na casa dos 20. Bebo muito pouco hoje em dia; odeio ressacas! Além disso, sou casado e tenho filhos, e eu preciso levar eles para a escola de manhã.

 

Você acompanha as competições da WSL?

 

Eu adoraria assistir Teahupoo ao vivo, pressoalmente. Seria incrível. Com certeza quero voltar pra Bells Beach também.

 

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Trujillo tem a mente aberta quando se trata de pranchas, preferindo as que oferecem mais velocidade. Foto: WSL / Jesse Faen.

  

Algum surfista favorito que você queira mencionar, no passado ou presente?

 

Existem tantos surfistas incríveis com poder e estilo. Eu fui abençoado... Jay Phillips possui um estilo incrível e surfou comigo na Austrália. Slater, Machado, Tom Curren. É claro que os competidores profissionais, desde Mick Fanning até o Jeremy Flores – ambos são seres humanos incríveis. Gabriel Medina é absurdamente impressionante. Ainda tem Sunny Garcia, Gerlach, todos os Fletchers.

 

Quais pranchas você está usando atualmente?

 

Eu estou conectado com uma Hayden Hypto Krypto 6’2’’ novinha. Eu tive bons tempos com ela na França. Super durável para viajar, super versátil. E minha preciosidade é uma DHD 6’1’’, que ficou escondida no nosso estúdio do Metallica por cerca de 10 anos. Mick Fanning tinha feito para mim há um tempo, muito irada. Eu sempre gosto de encontrar um tesouro perdido. É como encontrar aquela guitarra que desapareceu, e ela simplesmente canta.

 

 

Fonte World Surf League

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