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Jaime Viúdes
Nicarágua inusitada
Por Jaime Viudes em 26/09/15
Jaime Viúdes relata trip eclética em sua primeira visita à Nicarágua. Confira as fotos.
Jaime Viúdes, Nicarágua. Foto: Osmar Rezende Filho
Jaime Viúdes, Nicarágua. Foto: Osmar Rezende Filho

Bastou quatro dias para me perguntar por que nunca tinha ido à Nicarágua. Embarquei numa trip eclética, para não dizer inusitada, que ao ser programada contaria com o hot júnior Renan Pulga, o cinegrafista e fotógrafo Osmar Resende Filho e com Murilo Maesano- o organizador da barca. Próximo do embarque fiquei receoso quando soube de mais quatro tripulantes. Estaria indo com um crowd e isso nunca me pareceu uma boa ideia, sem falar que a maioria não se conhecia bem. No aeroporto, aquele clima de faço tudo por boas ondas.

Miramar canta
Um bom lugar para amarrar o burro na sombra. Mesmo flat o surf camp acolheu bem. A notícia de que um swell já encostava foi bem mais animador do que escutar a ladainha de que no dia anterior estava clássico. Amanheceu e o mar reagiu rápido. No segundo dia alguns bons tubos já escorriam na bancada, com ondas para qualquer tipo de prancha. Aproveitei para observar e ter melhor noção com quem eu estava viajando. Dos que não conhecia, Carlos Carreira é fissurado, bom de aéreo e estilo fluído. Os bodyboarders Abner Scoppetta e Alex Detter deram o tom de humor fora da água, mas no surf a coisa ficava séria. Uma competitividade saudável para ver quem mandava na session. Algumas manobras aéreas intrigavam como uma coluna pode aguentar o impacto daquelas aterrissagens. Pulga mostrou porque é um dos líderes da nova geração de juniores do Brasil, com maturidade para encaixar grandes manobras sempre no momento certo. Dançou conforme a música. Fábio Kodama e Murilo esperavam bastante, mas sempre encontraram as séries.

O fim de tarde veio com séries cada vez maiores. Detter achou um tubo incrível numa onda que já batia os 6 pés, nos últimos raios de luz. Abner de combination. Pulga saiu amarradão: “Aqui a quilha canta!” No dia seguinte ondas massudas de 6 pés, mas poucos tubos.

Colorado x Pangas Drop
Os três dias em Miramar ficaram para trás. Nos hospedamos na Hacienda Iguana, de frente para o mar. Agora havia mais opções de ondas. Com um longboarder, alguns shortboarders e dois bodyboarders era provável que as escolhas não fossem as mesmas. A galera correu para Colorado, a alguns minutos de caminhada. Fui com mais calma meia hora depois. No caminho avistei uma onda muito perfeita, bem no meio da praia, sem ninguém. Parecia uma máquina, séries sequentes com muita perfeição. Fiquei ansioso e apertei o passo até Colorado. Quando cheguei avistei umas 100 pessoas na água, séries demoradas e sem muita luz no fim dos tubos. Ainda olhei por 10 minutos, uma ou outra abria, foi o suficiente para voltar correndo até Pangas e usufruir por 3 horas de uma das melhores sessions de longboard que já tive. Sozinho, terral. O Pulga me perguntou se estava bom. Só respondi que minha monoquilha também cantou. Ele só sorriu.

A função se repetiu no dia seguinte. Condições idênticas. Colorado estava bom para fazer fotos, não a cabeça. Preferi me satisfazer em Pangas Drop. Mais três horas sozinho no pico. De noite vi as imagens que o Osmarito fez de dentro dágua e bateu uma inveja, mas como não ouvi ninguém dizendo que o mar estava muito bom dormi tranquilo.

Popoyo encanta
Popoyo esteve sempre um playground. A primeira impressão veio em picos assimétricos, tamanho médio, o suficiente para sentir o potencial da onda mais famosa da Nicarágua. Com um swell sólido a máquina deve funcionar com muito volume. Outer Reef mantinha o pescoço torcido para a esquerda a cada espuma que borbulhava na bancada. Com uma remada até lá e ondas bem pequenas, percebi muita correnteza e uma marola massuda na cabeça me torceu e arrastou um bocado.

As três bancadas de Popoyo são boas. Na maré seca chamam atenção pela beleza. O lugar respira uma atmosfera leve e certeza de bom surf. No melhor dia, como de costume Pulga deu seus pulos para conseguir algumas boas, fazendo as quilhas cantarem alto com uma linha bem equilibrada entre o surf de borda e os aéreos. Sem tubos, Abner e Detter tentavam manter o bom humor e por isso se arriscaram mais em Colorado, mesmo sem estar do jeito.

Nos dois últimos dias ainda sobrou uma marola clássica para longboard. Noseridings e trocas de borda em ondas que não despejavam uma gota de água fora do lugar. Fomos embora e o terral continuou soprando.

Agradecimentos: Widex Travel, Miramar Surf Camp.

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