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Cleiton Félix
Volta por cima em Ubatuba (SP)
Por Janaina Pedroso em 04/09/17
Cleiton Félix supera desafios pessoais para conquistar etapa do Circuito Municipal de Ubatuba (SP).
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Cleiton Félix é dono de uma história de superação e de um power surf afiado. Foto: Ermani Trujillo.

 

Dono de um incrível power surf, Cleiton Félix voltou a vencer uma etapa do Circuito Municipal de Ubatuba (SP) depois de muitos anos. O surfista conquistou o título da categoria Open da segunda etapa, realizada em Itamambuca, no último dia 20 de agosto.

 

Cleiton é dono de uma história de superação. Começou a surfar aos 12 anos em um bodyboard, mas logo trocou de prancha e tomou gosto pelo surfe.

 

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Aos 16 anos, com o primeiro troféu. Foto: Arquivo pessoal.

Amigos e familiares costumam lembrar com certa emoção de um menino com muito talento.

 

“Nestes anos de surfe, desde os antigos festivais entre o fim dos anos 1980 e início de 1990, posso dizer com tranquilidade que o Cleiton já se destacava demais, era muito talentoso. O surfe dele era vertical e afiado desde muito pequeno”, conta o amigo e primo Sebastião Gomes, figura marcante nos festivais como segurança.
 
Por volta dos 18 anos ele largou as esquerdas cavadas do Félix pelas direitas de Itamambuca, até que uma hora o surfe ficou para trás de vez, dando lugar a muita balada. “Sei lá o que deu na minha cabeça”, relembra ele sobre uma fase que durou três anos e que pretende deixar no passado.
 
Confira abaixo a entrevista sobre uma infância roubada, a radicalidade como forma de expressão, o fundo do poço e a volta por cima de Cleiton Santos Félix.
 
Como o surfe entrou na sua vida?

 

Estava no quintal de casa, mas ninguém me levou. Tive que ir sozinho. Aos 12 anos, comecei, ganhei um bodyboard com quilhas do dono do barco que meu pai era empregado, ele era vermelho e depois foi desbotando, até que ficou cor-de-rosa.
 
E quando você passou a surfar com uma prancha de surfe?

 

Troquei com um primo meu, convenci a trocar comigo. Foi fácil, a prancha era muito velha (risos).
 
Quando criança, você chegou a fazer parte de algum projeto social?

 

Não, nunca tive apoio ou incentivo. Tive que largar o surfe muito cedo pra trabalhar, aquela coisa de filho mais velho.
 
E como a competição entrou na sua vida?

 

Foi aos 16 anos, fiquei em segundo lugar no Prumirim, não me esqueço desse dia. Depois disso me animei pra competir e comecei a participar de todos os eventos de surfe da cidade. Depois comecei a viajar, mas na maioria das vezes, não tive condições de bancar a barca.
 
Qual foi o primeiro pico fora de Ubatuba?

 

Itanhaém. Fui pra competir, claro, era o Hang Loose. Já tinha competido um aqui, o segundo foi lá. Eu gostava bastante dessa história de competição, mas nunca me dava bem. Minha mãe costumava brincar comigo dizendo que eu já podia abrir uma pousada com o tanto de quarto (lugar) que eu ganhava (risos).
 

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Ao lado dos irmãos e também surfistas Marco Aurélio e Maicon: Cleiton é inspiração para os caçulas. Foto: Arquivo pessoal.

 

Você sentiu raiva em algum momento por ter que abrir mão da sua infância pra trabalhar?

 

Ah, senti, não vou mentir pra você. Não entendia por que eu não podia me dedicar pra um esporte ou simplesmente brincar, sendo que eu sabia que eu tinha chance de me dar bem. Não foi fácil ter que parar de surfar e ter que trabalhar porque você é filho mais velho.

 

Vou falar pra você, o surfe muitas vezes era minha única saída, acabava descarregando a frustração nas manobras, e por um lado isso era bom, mas na hora de decidir e vencer uma bateria eu não tinha cabeça.
 
Até que uma hora o surfe ficou pra trás de vez?

 

Sim, não sei o que estava em primeiro lugar na minha vida naquele momento, mas com certeza não era o surfe. Caí na night mesmo, zuera, fiz muita coisa errada. Na real? Joguei tudo pro alto, não soube dar valor pra pequena chance que estava tendo.
 

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E rodeado por amigos, na comemoração da vitória na categoria Open na segunda etapa do Ubatuba Pro. Foto: Arquivo pessoal.
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Cleiton em dois momentos: quando chegou a pesar 126 quilos. Foto: Arquivo pessoal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Você chegou a perder patrocínio?

 

Sim, não era lá essas coisas, quero dizer que não dava pra viver daquilo, mas já era alguma coisa. Mas chegou uma hora que fiquei sem nada mesmo, engordei, troquei o surfe por outras coisas. Um passado que hoje posso te afirmar, não quero pra mim.
 
Quem te ajudou a sair da roubada, vamos dizer assim?

 

Minha mulher, Giselle, devo tudo a ela. Essa mulher é incrível e segurou uma barra que eu vou falar pra você. E hoje, ontem, sempre eu vou dedicar essa vitória pra ela. Porque não é só pelo pódio lá em Itamambuca, claro que o evento é irado não tem o que falar, mas essa vitória é muito maior pra mim e representa muito mais na minha vida.
 
Giselle te ajudou inclusive com a alimentação nestes últimos meses. Como foi o momento de preparação para o campeonato?

 

Eu perdi 15 quilos, mudei completamente minha alimentação e comecei a treinar. Parei de me lamentar por qualquer problema e usar isso de desculpa pra não ir treinar ou então de seguir uma dieta. Tentei perder peso outras vezes, mas sempre que acontecia um problema, eu descarregava no rango e não ia treinar. Chegou uma hora que me cansei disso, coloquei uma meta na minha cabeça, mas ainda não conquistei ela.
 
Qual é a meta?

 

É seguir com a dieta chegar nos 85kg e seguir treinando, porque é muito boa a sensação de dever cumprido. Você ser recompensado por um esforço que foi seu é muito bom e só dá mais vontade de vencer mais. É contagiante, se colocar em primeiro plano na vida e tiver hábitos saudáveis, sentir a vida é muito bom, ter essa consciência é muito legal.
 
Você está de volta ao jogo?

 

Estou de volta, com certeza. Hoje me sinto mais preparado do que nunca.

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