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Fernando Aguerre
Sonho realizado
Por Ader Oliveira em 03/08/16
Em entrevista exclusiva, Fernando Aguerre - presidente da ISA - fala sobre a inclusão do surfe nas Olimpíadas.
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Fernando Aguerre é um dos principais ícones na luta pela inclusão do surfe nas Olimpíadas. Foto: ISA / Sean Evans .

 

Foram 22 anos de muita luta para promover o surfe como um esporte olímpico. Desde que foi eleito presidente da International Surfing Association (ISA), em 1994, o argentino Fernando Aguerre tornou-se um ícone do esporte, sempre batalhando para criar um ambiente olímpico nas competições da entidade.

Nesta quarta-feira, em sessão promovida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) no Rio de Janeiro, o surfe finalmente foi incluído nos Jogos, para a alegria de Aguerre e de tantos outros. Em entrevista concedida ao Waves, o presidente da ISA falou sobre a realização de um antigo sonho e deu detalhes da nova modalidade olímpicada, que estreará em 2020, no Japão.

A história de Aguerre na ISA começou em 1994, justamente no Rio de Janeiro, onde prestigiou a sessão do COI nesta quarta. "Quando comecei como presidente da ISA, a entidade já tinha feito alguns movimentos olímpicos, mas não tinha nenhuma relação com o COI. Se a gente quisesse ter uma entidade séria, teríamos que estar perto do maior centro desportivo do mundo, que é o COI. Foi assim que começamos. Fui eleito em maio de 1994, no Rio de Janeiro, e dois anos depois eu fiz o primeiro Mundial como presidente, em Huntington Beach, Califórnia", conta Aguerre.

Com dois anos à frente da ISA, Aguerre conseguiu se aproximar do Comitê. "Três meses antes do Mundial em Huntington eu fui visitar o presidente do COI, Juan Antonio Samaranch. Levei uma prancha, posters, fotos, revistas e outros presentes. Eu queria que ele entendesse que o surfe é muito mais do que um esporte. É um estilo de vida, uma cultura. Naquela época eu descobri um livro, uma autobiografia do Duke Kahanamoku (lendário nadador havaiano e considerado o pai do surfe moderno). Ele dizia que por volta de 1918 ou 1919 ele havia pedido que o Comitê Olímpico incluísse o surfe nas Olimpíadas. No mesmo livro, Duke escreveu que algum dia alguém iria formalizar esse pedido e teria êxito", lembra o dirigente.

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Fernando Aguerre e o presidente do COI, Thomas Bach. Foto: Divulgação ISA.

 
O incansável Aguerre fez a entidade formar um grande número de filiadas, incluindo muitos países sem tradição alguma no esporte. "Fiz um cálculo com o meu irmão (Santiago) e cheguei à conclusão de que eu tinha trabalhado durante 22 anos, cerca de 10 a 12 mil horas, como voluntário, sem nunca cobrar 1 real da ISA. Quando cheguei, tínhamos 30 federações filiadas e metade delas era fraca. Hoje somos 100. Fizemos um trabalho para promover o esporte em lugares fortes como o Brasil, mas não deixamos de lado países como Irã, Bangladesh, Índia, entre outros", revela o argentino.

Segundo Fernando Aguerre, as esperanças aumentaram consideravelmente com a nomeação de Thomas Bach para presidente do COI, em 2013. "Nos últimos três anos nós trabalhamos muito duro nesse projeto olímpico. Contratamos o Bob Fasulo como diretor executivo e uma empresa de marketing, e eles também se empenharam muito nessa missão. Você pode remar, mas a onda tem que vir. Essa onda que mudou o cenário veio em 2013, quando o COI elegeu um novo presidente. Ele entrou com a ideia de modernizar, de promover mudanças nos esportes olímpicos. Mudanças drásticas ocorreram em novembro de 2014, quando acabaram com o limite de 28 modalidades olímpicas e as portas se abriram para que novos esportes fizessem parte das Olimpíadas. No passado, para que um novo esporte entrasse nos Jogos, algum teria que sair, e isso era muito difícil", explica.

Perguntamos a Fernando Aguerre qual seria o modelo ideal de competição nas Olimpíadas. "Vinte homens e vinte mulheres. Teremos uma janela e vamos necessitar de dois dias para promover as disputas. No primeiro dia, faremos as disputas eliminatórias. No segundo dia, as quartas de final, semifinais e finais. Não podemos falar muito porque ainda iremos receber um guia do Comitê Olímpico. Baseado nisso, vamos trabalhar para chegar ao formato", diz o argentino.

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Aguerre em ação no outside. Foto: Save The Waves Caolition.

Segundo Aguerre, o Comitê Olímpico não está interessado somente numa competição de surfe. "Eles querem um festival, a cultura, o estilo de vida do esporte. A ideia é ter na praia grupos musicais, exercícios, comidas saudáveis, yoga, aulas para o público entender o meio ambiente, os tipos de prancha, etc", fala o presidente da ISA.

Sobre a possibilidade de se promover eventos em piscinas, Aguerre revela que a proposta chegou a ser apresentada para a ISA. “A piscina de Kelly Slater, apesar de ser boa, ainda não foi testada comercialmente. O Comitê Olímpico não quer construir ‘elefantes brancos’ que depois não terão nenhum uso. Já aconteceu muito isso, mas agora a mentalidade é outra. A ideia é construir coisas que possam ser aproveitadas depois dos Jogos. Quando houver um modelo econômico e uma piscina sustentável, tudo bem".

Aguerre falou também sobre a relação com a World Surf League (WSL). “A WSL está apoiando todos os nossos esforços e sabe isso que será um benefício muito grande para o seu negócio. A relação entre o Comitê Olímpico Internacional e o surfe acontece através da ISA. Em cada país, a relação com o Comitê Olímpico Nacional acontece através das confederações nacionais. Tivemos reuniões em conjunto com a WSL e o COI, mas qualquer decisão sobre classificação, formato, equipe técnica ou qualquer outro assunto é de responsabilidade da ISA”, esclareceu Aguerre.

Para finalizar, o dirigente falou sobre a importância da ISA no cenário do surfe. "A ISA não é apenas uma entidade que promove campeonatos. Também não é uma entidade que somente se preocupava em chegar aos Jogos. Nós temos um programa de educação para formar treinadores de surfe, SUP (Stand Up Paddle) e surfe adaptado. Temos mais de 2 mil juízes registrados no mundo inteiro. Em 2007, já tínhamos doado quase US$ 300 mil para meninos e meninas de até 18 anos com dificuldades econômicas, para que se tornassem bons surfistas e também estudantes dedicados. Promovemos muitas atividades", encerrou Aguerre.

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