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Arthur Santacreu
Bronze com sabor de ouro
Por Redação Waves em 10/09/17
Em entrevista ao Waves, Arthur Santacreu fala da conquista da medalha de bronze no ISA World Championship na Dinamarca.
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Arthur Santacreu fatura o bronze na categoria SUP Sprint Race. Foto: ISA / Sean Evans.

 

Arthur Santacreu, 22 anos, fez bonito no ISA World SUP and Paddleboard Championship, em Copenhague, na Dinamarca.

Na manhã do último domingo (3/9), “Tuca”, como é conhecido, conquistou o bronze na categoria SUP Sprint Race, de 200 metros, marcando presença no pódio ao lado do dinamarquês Casper Steinfath, vencedor da bateria, e do neozelandês Trevor Tunnington, segundo colocado.

A competição aconteceu no canal em frente ao famoso Opera House da capital dinamarquesa. A diferença entre Arthur e Trevor foi milimétrica. Após ambos cruzarem a linha de chegada, a prata chegou a ser anunciada para o brasileiro. No entanto, após a comissão técnica reavaliar a chegada dos atletas no replay, foi constatada uma pequena vantagem do neozelandês.

Atual campeão brasileiro de Sprint, Tuca fala sobre a competição em entrevista exclusiva ao Waves.

Esta foi a sua segunda participação no ISA World SUP and Paddleboard Championship. O que mudou em relação à primeira vez na competição, em 2015?

Na minha primeira participação, em 2015, fui convocado para as provas de longa distância e para a técnica. Já dessa vez, a convocação foi para as competições de longa e para a prova de Sprint 200m, que é a minha especialidade. Tendo duas provas completamente diferentes, optei por focar os trenós apenas no Sprint, em que tinha mais chances de ter uma performance melhor.

Acredita que a mudança de categoria (das provas técnica para o Sprint) influenciou para a conquista da terceira colocação?

Com certeza. Focar apenas em uma prova específica foi crucial para o bom resultado. Assim que fui convocado, passei a direcionar completamente os treinos para o Sprint. Além disso, competir numa modalidade em que sou campeão brasileiro me deu mais confiança.

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Brasileiro chegou a ser anunciado como medalista de prata, mas acabou em terceiro por uma diferença milimétrica.  Foto: ISA / Sean Evans.

 

Como é estar no pódio ao lado de nomes como Casper Steinfath e Trevor Tunnington, considerados especialistas mundiais na prova? Foi uma surpresa?

Foi incrível. Os caras são conhecidos no mundo todo como os mais rápidos. E agora estou entre eles. Foi algo completamente surreal. Era um sonho. Ver isso se tornar realidade me deu ainda mais confiança para seguir em frente.

O que achou da experiência em competir num canal? Foi a primeira vez?

Já tive uma experiência anterior de remar em canais. Aliás, uma longa experiência. Foi numa prova de ultramaratonas de 220 quilômetros remados em cinco dias nos canais do interior da Holanda.

 

Foi uma das experiências mais desafiantes e bonitas da minha vida. Dessa vez, no entanto, remamos num canal bem mais largo em Copenhagen. O local tinha muita atividade náutica e isso deixava a água completamente “mexida”. Me senti remando no mar.

Como foi a sua preparação física para o ISA World SUP and Paddleboard Championship?

Já vinha de uma preparação anterior para provas de Endurance, ou seja: de resistência. Assim que fui convocado para o mundial, passei a focar todos os meus treinos nos 200 metros, que exigem treinos completamente diferentes.

 

Passei a fazer treinos de velocidade na água e também de força na academia, complementando com “tiros” extremamente fortes de corrida para o cardio. Tudo era na base da intensidade e do “coração na boca”. Além disso, pesquisei, testei e aprimorei a minha técnica de remada. Essa eu considero como a parte decisiva do meu treinamento. Dou extremo valor à técnica. Não adianta fazer força se você aplica de forma errada.

Como se deu a preparação psicológica?

O meu preparo psicológico tem sido desenvolvido ao longo de todos meus treinos e competições. Aprendi a controlar as minhas emoções e também a manter a mente nos meus objetivos.

 

Costumo dizer que não fico nervoso em provas, pois conquistei em cada uma aquilo que treinei até ali. Não tem segredo. Se os outros treinaram melhor, mereceram ganhar. Mas atualmente tenho seguido o método do Nuno Cobra, que tem me ajudado bastante. O conceito tem a ver com se autoprogramar para ser quem você quer ser.

Como é ser uma das promessas do SUP nacional?

Não sei quanto a "ser uma promessa". Acredito que sou resultado de um bom trabalho em equipe e também de muita dedicação. Então não vejo como um peso nas costas. Eu remo porque gosto e também porque quero ser o melhor. Mas claro que é sempre uma energia diferente poder representar o Brasil, o meu país.

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Atual campeão brasileiro de Sprint Race, Arthur Santacreu conquistou a primeira medalha do País no ISA World Championship. Foto: ISA / Sean Evans.

 

Em 2015, você foi campeão brasileiro de Sprint em Foz do Iguaçu. Desde então, não houve mais provas nesta modalidade no país. A ausência de provas oficiais, de alguma forma, prejudica o seu preparo para grandes competições mundiais?

Antes desse mundial o Sprint não era muito reconhecido e divulgado. Então acho que todos estavam na mesma desvantagem. Agora com esta competição, a modalidade sem dúvidas ganhou as atenções. Podemos esperar provas cada vez mais padronizadas, em estilo olímpico. E cada vez mais, os atletas terão que se especializar em uma modalidade para evoluir no esporte. Dessa forma, poderão treinar para modalidades específicas de prova, elevando ainda mais os próprios níveis.

Como consegue conciliar a tripla jornada: os estudos nas faculdades de engenharia/educação física, à rotina de treinos e também manter uma boa alimentação?

Acho que, quanto menos tempo livre nós temos, paradoxalmente mais tempo conseguimos arrumar para fazer alguma coisa. O meu dia a dia não tem enrolação. É tudo mais ou menos cronometrado. Vou para faculdade de engenharia de manhã, almoço e depois vou treinar. Em seguida, vou para casa me alimentar e ir para a segunda seção de treinos, que alterno entre corrida e academia. Depois disso tudo, janto e vou para a faculdade de educação física. Volto para casa, como e durmo. Não é uma rotina fácil. Exige muita disciplina. Mas com o tempo, a gente acaba se acostumando e tudo isso se torna normal.

Você é praticante de boardsports desde criança. Como surgiu o interesse nos esportes desta categoria?

Sempre gostei de esportes com prancha. Comecei com skate e um pouco de surf. Com o tempo, passei a nutrir o hábito de desafiar o meu corpo, me apaixonei por esportes em geral. Daí veio o SUP, que é a combinação perfeita de esportes de prancha e preparo físico.

De onde vem o apelido "Tuca"?

Pelo que me falam, Tuca é um apelido comum para Arthur. Então veio desde que nasci, como uma forma de me diferenciar do meu pai, que tem o mesmo nome.

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Competição foi disputada no canal de Copenhague, na Dinamarca. Foto: ISA / Sean Evans.

 

Sabemos que viver exclusivamente de esportes no Brasil não é fácil. No caso de um esporte relativamente novo para o grande público, como o SUP, você considera ainda mais complicado?

Qualquer esporte que não seja o futebol, no Brasil, é complicado. Mas este é um cenário também comum no resto do mundo.

 

Eu penso no entanto que isso vai mudar. Acredito bastante na popularização do SUP num futuro próximo. É um dos esportes que mais cresce hoje em dia. Mas prefiro não depender disso.

Você recebe algum tipo de apoio / patrocínio?

Por trás de um bom atleta sempre existe uma ótima equipe. Atualmente, desenvolvo minhas pranchas com a RatsRace, do shaper Gustavo Ratones, que garante sempre as melhores pranchas para cada situação.

 

Além disso, ganho remos da Kialoa, suplementos da Newmillen e tenho o acompanhamento médico com o ortomolecular Dr. Luciano Bertolini. Com essas parcerias, consigo evitar alguns gastos. Porém, ainda preciso pagar para competir. E esse custo tem sido cada vez mais alto.

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