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Uri Valadão
Turnê sul-americana
Por Uri Valadão em 10/08/17
Uri Valadão conta como foi a perna sul-americana do Mundial de Bodyboarding e a passagem de Guilherme Tâmega pelo Brasil.
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Uri Valadão e o tubo nota 10 no Itacoatiara Pro. Foto: Tony D'Andrea.

 

Neste texto, gostaria de contar pra vocês a minha visão de como foi a perna sul-americana do circuito mundial.


No fim de junho, tivemos o tão esperado Itacoatiara Pro, válido como 3ª etapa do Tour. Foi a minha estreia e também a de muitos outros atletas, já que as primeiras etapas do ano (Pipeline e Teahupoo) não tiveram pontuação de Grand Slam.


O evento mais uma vez foi incrível, com estrutura e organização espetaculares, mídia e público presentes, e como sempre, uma atmosfera sensacional! Minha única crítica (construtiva) é em relação à premiação, que poderia ter sido melhor, como já tivemos em outras ocasiões, mas no geral foi muito bom e vamos continuar trabalhando pra melhorar a cada ano!


O evento começou e eu estava empolgado, muito bem treinado e me sentindo à vontade pra encarar qualquer condição. Particularmente, Itacoá tem um estilo de onda que combina com meu surfe e costumo me sentir muito bem ali naquela praia.

 

Minha primeira bateria foi cascuda, tive como adversários Dudu Pedra e Lucas Farias, dois locais de Itacoá que admiro muito.


Eu sabia que tinha de entrar concentrado em pegar ondas boas, e assim foi. Consegui fazer uma estreia brilhante, arrancando inclusive uma nota 10 unânime dos juízes em um tubaço! Consegui avançar direto para o round 3.


No 3º round, tive pela frente mais um adversário duro, o Tristan Roberts, da África do Sul. Fomos os únicos que tiramos notas 10 no primeiro round, ou seja, eu sabia que ia ser uma batalha dura!! Mais uma vez entrei focado em escolher melhor as ondas, mas dessa vez não fui tão feliz quanto ele nas escolhas e perdi a bateria por mínimos detalhes. Fiquei bem triste - como sempre fico quando perco. Mas sempre temos algo pra tirar como aprendizado...


No fim das contas, quem ganhou o Itacoatiara Pro foi Diego Cabrera, das Ilhas Canárias. Diego estava muito focado e mereceu a vitória. Ele é muito talentoso, está no circuito há bastante tempo e não me lembro de ter visto vencer um evento tão importante como esse...

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Guilherme Tâmega é atração em palestra na capital baiana. Foto: Bruno Brito.

 
Depois de Itacoá, voltei a  Salvador, minha cidade natal, para receber o hexacampeão mundial Guilherme Tâmega. Organizamos um tour com GT passando primeiro por Fortaleza (CE), seguindo para Salvador (BA) e depois Santos (SP).

 

O tour com GT teve como objetivo ministrar palestras e clínicas de bodyboarding, bem como promover o esporte e também a GTBoards (marca de bodyboard do próprio Guilherme).


O resultado não poderia ter sido melhor. O efeito Guilherme Tâmega em cada cidade reacendeu a chama do esporte e de muita gente que estava afastado do bodyboarding. Guilherme tem um carisma e uma energia diferentes, que contagiam. Aqui em Salvador, praticamente lotamos o auditório e ele emocionou muita gente durante sua palestra, foi muito show!!


O próprio GT, que atualmente reside no Havaí, me confessou depois que ficou emocionado ao sentir tanto carinho das pessoas durante este tour… foi mágico!


Após a correria na organização da palestra de GT em Salvador, embarquei para o segundo evento da perna sul americana, em Arica, no Chile. Flopos, ou El Gringo, como é conhecido, é um dos picos mais temidos do mundo e também um dos lugares mais consistentes de ondas grandes que já vi. A previsão para o evento não era diferente: ondas pesadas!


O evento, mais uma vez, começou com ondas enormes... Coloquei na minha playlist músicas alegres, pra relaxar, e fui com tudo (risos)! Mais uma vez na estreia consegui uma ótima performance, uma das melhores do evento até então, mas novamente competi mal no round 3 e fiquei pelo caminho, amargando mais uma derrota precoce! Fiquei puto da vida...


Estava triste após a derrota, mas, de repente, meu grande amigo e parceiro de viagens Roberto Bruno me trouxe uma alegria imensa! Bruno passou a semifinal em uma virada histórica, tirando um 9,5 em tubo absurdo. Aquilo me trouxe uma energia e uma vibração que eu estava precisando.

 

Brunão passou das quartas, depois a semi surfando muito, e surfou a final de igual pra igual com uns dos caras mais cascudos naquele mar. Resumindo, Bruno ficou em segundo no evento, e se ele sai de um tubaço, ganhava o campeonato!

 

Mas foi épico e emocionante, parecia que eu estava ganhando o campeonato vendo-o lá, depois de tantos anos tentando e sem obter resultados positivos… Mais uma lição incrível de que tudo tem o seu momento pra acontecer, basta acreditar e seguir lutando que um dia a gente consegue! Brunão conseguiu e trouxe um vice-campeonato com gostinho de vitória!

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Roberto Bruno faz campanha brilhante em Arica, Chile. Foto: Pablo Jimenez.

 
Depois de Arica, seguimos pra Antofagasta, última etapa da perna sul-americana. Minha expectativa era grande, pois o pico do evento era nas esquerdas de Ola Cupula, uma onda boa e bem divertida, com seções de rampas animais. Uma onda que eu gosto de surfar!


O evento começou com boas ondas de 1 metro e terral. Minha primeira bateria do evento foi nessas condições, e foi show, consegui avançar direto para o round 3.

 

Nas duas etapas anteriores eu tinha perdido no round 3, e querendo ou não aquilo ficou na minha mente, mas eu estava confiante de iria dar tudo certo. Mais uma vez enfrentei o perigoso Tristan Roberts. Foi uma bateria dura, com notas altíssimas, mas dessa vez consegui passar adiante em uma virada emocionante.

 

Segui crescendo no evento e surfando melhor a cada bateria, até que cheguei na semi e acabei enfrentando  o marroquino Brahim Iddouch, que estava inspirado.

 

Em seguida, fiz uma bateria pra disputar o 3º lugar contra Roberto Bruno, que vinha bem consistente durante todo evento e cheio de rapadura no sangue (risos). Brunão acabou ganhando de mim, e com este resultado se consolidou ainda mais na briga pelo título mundial de 2017.

 

O evento foi vencido por Brahim, que ganhou na final do líder do ranking mundial, Iain Campbell.

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Neymara Carvalho orgulha os brasileiros em Antofagasta, Chile. Foto: Divulgação.

 
Um dos momentos de muita alegria pra mim nesse evento foi ver a nossa rainha do mar, nossa grande campeã Neymara Carvalho, triunfando e vencendo o evento feminino de forma categórica. Neymáquina se reinventou, surfou muito, cheia de energia e garra, e mostrou aquele talento já habitual! Eu falo com orgulho, pois acompanhei grande parte de sua carreira e já a vi fazendo coisas extraordinárias, difíceis de descrever... Parabéns, Ney, e vai com tudo!


De uma forma geral, a etapa foi muito bem organizada. Em apenas cinco anos, Antofagasta já é, na minha opinião, uma das melhores do circuito. Ficamos na torcida para que se consolide cada vez mais e sirva de exemplo como um evento de sucesso!


Gostaria de destacar que, durante essa perna sul-americana, vi muitos brasileiros novatos quebrando. Isso me deixou muito feliz, pois é a esperança de uma nova geração vindo forte por aí. Fiquei impressionado com a quantidade de novos talentos, especialmente do Ceará, mas também tenho visto alguns incríveis de Niterói, Macaé, Rio das Ostras, Rio de Janeiro, Paraná, Bahia, e por aí vai...


Agora, meu foco está nos treinamentos, pensando na perna europeia do circuito mundial, que terá início em setembro. Teremos 4 campeonatos importantíssimos e que serão definitivos para o ranking: Sintra, Viana e Nazaré, em Portugal, e a etapa final em Fronton, nas Ilhas Canárias.
Vamos que vamos!!! Valeu, galera, pela torcida de sempre, e até meu próximo texto!

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