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Torcedor Fanático
O melhor dos três
Por Alexandre de Toledo Piza em 21/10/14
Alexandre Piza, autor da coluna Torcedor Fanático, comenta a pressão sobre Gabriel Medina na reta final do Tour.
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Colunista Alexandre Piza comenta a pressão sobre Gabriel Medina. Foto: ASP / Poullenot
 

Quem disse que ia ser fácil? A batata vai assar em Pipeline e temos dois super campeões mundiais na cola de Medina. A sombra de Slater deu lugar ao bafo quente de Fanning no cangote do brasileiro.

Ainda bem que John John deu adeus ao sonho de título mundial. Imaginem os três na cola de Medina em Pipe? Contudo, o havaiano não deve aliviar, pois surfa Pipe como pouquíssimos e quem cruzar com ele no meio do caminho, pode abreviar as chances de erguer o caneco, tanto do campeonato, como do Tour.

Ano passado, com certa polêmica, Mick assegurou seu terceiro título mundial em águas havaianas e Slater papou o campeonato. Todos sabem, mas vale ressaltar. Temos ingredientes de sobra para altíssimas emoções e aquele frio na barriga é inevitável desde agora.

É incontestável que Medina tem vantagem de pontos, mas é evidente que nessa etapa de Portugal faltou o algo a mais que o estava levando pra cima dos pódios e levantando os troféus. Nervosismo, insegurança, imaturidade? Pode ser um pouco de tudo isso.

Passar a mão na cabeça ou enchê-lo de críticas? Podemos criticar, sim, sua atuação em Portugal, mas não podemos deixar de elogiar toda a sua jornada até agora. O que é temeroso mesmo é que existem chances claríssimas agora de ele perder o título que esteve tão mais perto.

Medina passou várias baterias este ano marcando seus adversários até o último segundo. Em diversas oportunidades nem foi o melhor surfista do evento, com certeza foi o melhor competidor, mas soube usar o regulamento. Sabe como poucos como fazer isso e, desta vez, deu um certo mole.

Não imaginei que seria assim tão difícil, emocionante e apertado. Esperei vir aqui nesta coluna e gritar “é campeão, é campeão!”. Estou aqui com cara de tacho olhando pro nada, lembrando de quando vi Anderson Silva sendo derrotado por Chris Weidman naquela primeira luta. Sentei num bar com um grupo de amigos e, não achava que seria um passeio. Mas, que haveria uma derrota daquela forma, com Silva balançando o queixinho na frente do americano, dando aquela sopa toda para o azar, quem poderia imaginar? Saí perplexo do bar, todos saíram, a ressaca foi braba.

Claro que Anderson Silva é uma lenda viva do esporte, mega experiente e fica até meio ridículo comparar os atletas, mas quero comparar a situação: Medina está balançando o queixinho na frente de Slater e de Fanning! Pior, não tem pedigree para isso.

Nas matérias sobre o campeonato, como sempre os fóruns se dividem entre os terroristas, os oposicionistas e os situacionistas. Não escrevo meus textos baseados na unanimidade do povo, mas é interessante a quantidade de técnicos que aparecem com suas estratégias de “Medina devia fazer isso”, “O Charles atrapalha”, “ele devia parar de jogar pôquer com Neymar e se concentrar só em surfar”, e muitas outros conselhos, a minoria construtivo e a maioria destrutivo.

A unanimidade é: Medina tem que fazer só o que sabe, que é surfar e continuar a ser sempre o competidor, respeitando desde o trialista costa-riquenho, indo pra cima sem se intimidar nem com John John em Pipe ou Kelly em Teahupoo.

Não acho que tenha faltado concentração ou respeito com os demais atletas. Há uma pressão enorme pelo título e não tem como não sentirmos isso. Se colocamos essa pressão e sentimos, imagine um garoto de 20 anos correndo a parede da onda, olhando uma junção e pensando “preciso acertar esse aéreo, posso ganhar o título mundial inédito para um país de torcedores fanáticos, para eu mesmo, para a minha família, para Deus, etc”. O segredo é a perna não bambear, mas sim enrijecer, só que na prática é outra coisa.

Bom, bola pra frente. Tem pouca água para rolar, todos sabem o que fazer. Como temos bastante tempo ainda até Pipe, as especulações e os corneteiros vão deitar e rolar, só não esqueçam de que quem vai pra água são eles, não nós. Haja expectativa. Tentemos ficar de cabeça fria. Papai do céu no comando, saberá sempre o que fazer.

Destaque para Filipinho, subiu mais um degrau em suas campanhas e já está se firmando como uma ameaça real para os próximos anos. Ultra moderno e radical, entubando com maestria em ondas medianas, limpando cada vez mais a linha, e mesmo assim continua com algumas notas achatadas. Motivo: tem surfado ondas menores do que seus oponentes na maioria das baterias e tem apostado na valorização da radicalidade. Só que nossos “amigões” juízes têm deixado bem claro que querem que ele faça suas peripécias nas maiorzinhas, nada de intermediária.

Mineiro contundido? Justamente antes de Pipe, onde mostrou que está mandando benzaço? Ficou em quarto no Volcom Pipe Pro no começo do ano, indo pra final contra Kelly, Guigui e Mason Ho. Torcida máxima para que ele se recupere.

Pupo, Alejo e Jadson ficaram pelo round 3. Perderam uma boa oportunidade de chegarem a Pipe mais relaxados.

Raoni terá que ter mais do que surf nos próximos WQS. Terá que ter é pique para que, se entrar no WCT 2015, não ser mais um ano de sparring dos tops. Uma pena, pois tem tanto surfista semi-ultrapassado passando baterias no Tour e Raoni tem totais condições de avançar também.

Menção honrosa para Guigui Dantas, que pode dar muito trabalho em 2015, já que muitas das ondas do circuito favorecem seu surf de linha e tubos. E, mais ainda, não é nada bobo quando o mar balança e diminui. Uma grata promessa para continuarmos a sacudir as estruturas da monarquia do reino ASP.

Tomara que outros da tropa brasileira se garantam agora pela divisão de acesso, pois Medina pode precisar de um trabalho de equipe para ser campeão mundial, principalmente no caso de um confronto homem-a-homem. Estou aceitando qualquer coisa, até uma ajudinha amiga da trupe Brazilian Storm.

Fora de Pipe, Medina é o melhor dos três (Slater e Fanning), mas agora, sinceramente, tudo pode acontecer. Somos Medina até o fim!

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