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Sou vagabundo, confesso
Por Pedro Maurity em 22/12/14
Pedro Maurity escreve sobre como a sociedade ainda encara o surfista como "vagabundo".
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Pedro Maurity ao melhor estilo "vagabundo". Foto: Arquivo pessoal

Desde os primórdios do esporte que, um dia, foi privilégio de reis polinésios, o surfista é visto pela sociedade como aquela figura que quer ficar o dia todo na praia, largadão, pegando suas ondas e fazendo a sua cabeça. Sendo tachado de “vagabundo”.

O surf, mesmo depois de muitos anos de evolução do esporte, com prêmios e patrocínios de valores altíssimos pros atletas, ainda não tem o status de um esporte olímpico. É encarado, muitas vezes, mais como um estilo de vida do que como um esporte em si. Como um momento de diversão. Embora o surfista, mesmo amador, tenha preparo físico de atleta, quando ele passa com a prancha embaixo do braço indo surfar, em uma terça feira, ainda é visto, queira ou não, como “vagabundo”.

É diferente, aos olhos da sociedade, por exemplo, do corredor, do ciclista, que levam seus corpos ao limite, buscando melhores tempos e performances. Estão são vistos como atletas, e são mesmo. Mas por o surf ser um esporte que, além de exigir do físico, proporciona um prazer muito grande para os praticantes e todo um lifestyle voltado pra vida praiana, muitas vezes, ele não é encarado como treino, mas como um momento de “vagabundagem”.

A verdade é que existe toda uma mística em torno do surf, de ser surfista. Mesmo quem não pratica, mesmo quem chama de “vagabundo”, tem aquela curiosidade e admiração pelo estilo de vida leve e pela beleza do esporte.

O engraçado é que muitos surfistas da geração dos anos 70, quando o mercado especializado era praticamente inexistente, para continuarem podendo desfrutar dos momentos de “vagabundagem” dentro d’água, abriram negócios voltados para o surf, que se transformaram em empresas gigantes, exigindo grande demanda de tempo e trabalho. Mas muitos ainda insistem em ver como, surfista, “vagabundo”, não quer nada. Deixa eles.

O melhor disso tudo, no entanto, é que esse preconceito que ainda existe em grande parte de nossa sociedade, na verdade, gera até um orgulho para o surfista. Surfista gosta de ficar o dia todo na praia mesmo, gosta de surfar, sair da água, comer uma parada e voltar pra surfar de novo.

É aquela sensação de juventude, de descontração, mesmo que seja só uma horinha por dia, mesmo que seja só uma horinha por semana.

Sem falar nas surf trips, onde, aí sim, o surfista pode desfrutar em tempo integral dessa maravilhosa sensação da “vagabundagem”. Mas pra financiar a trip, tem que ralar.

Não é que o surf seja melhor que os outros esportes, na verdade, o surf transcende um pouco o status de esporte para um estilo de vida, uma maneira de ver as coisas. Um surfista facilmente identifica outro surfista, mesmo que esteja disfarçado de terno e gravata. 

Enfim, se praticar esse esporte que eleva o estado de espírito e faz a cabeça, rejuvenescendo o corpo e a alma, é coisa de vagabundo, sou “vagabundo”, eu confesso.

 

 

 

 

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