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Sonhe e viaje
Por Gustavo Santana em 14/01/16
Gustavo Santana relembra surf trips para ressaltar a importância que as viagens exercem em nossas vidas.
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"Viaje atrás de ondas perfeitas, atrás de história, viaje atrás da vida. O que você vai trazer na bagagem, você vai carregar para o resto da vida". Foto: Marcelo Faleiro Nalu.

Depois de aprender os movimentos básicos sobre a prancha e entender como o mar e as ondas funcionam, naturalmente os surfistas começam a querer viajar em busca de ondas melhores. No início, uma praia mais distante seguindo as condições de ondulação e vento. Logo, uma barca um pouco mais longa com amigos ou mesmo os pais, dependendo da idade e da relação de amizade. Surfistas entendem cedo que existem culturas diferentes e que o mundo é maior que as cidades em que vivem. Um final de semana ali, outro acolá, até que nossas ondas do Atlântico Sul se mostram aquém do que sonhamos quando vemos fotos de revistas e videos de atletas profissionais. É nesse momento que o horizonte se  expande. O próximo passo são as viagens internacionais e, enquanto a maioria quebra a cabeça questionando-se que curso fará na universidade, os surfistas estão se perguntando qual será o destino ideal e onde estará a onda perfeita. 

Fiz minha primeira viagem internacional aos vinte um anos de idade, quando pude economizar o suficiente. O brasileiro, em geral, tem um pouco mais de dificuldade que os norte americanos ou europeus para viajar à destinos internacionais. Enquanto eles economizam estando em férias fora de seus países de origem, nós gastamos muito mais. Nos dias de hoje quatro vezes mais, devido à desvalorização de nossa moeda.  Mesmo assim, enquanto muitos amigos pensavam no seu primeiro carro ou em roupas para sair na balada, minha cabeça só podia pensar em carimbar o passaporte em busca de ondas perfeitas. Resolvi investir e o resultado não poderia ter sido melhor. 
 
Meus passos seguiam o sonho da onda perfeita e esse objetivo me guiava por um caminho de aprendizado e crescimento. Os destinos de surfe são sempre recheados de cidadãos do mundo, de todas as partes. O país latino americano que eu escolhi como primeiro destino facilitava a comunicação com locais pela semelhança dos idiomas.  Ainda que meu inglês fosse rudimentar e meu castelhano estivesse mais para o português com sotaque, pude conversar com pessoas que seguiam o mesmo sonho e que vinham dos mais variados países. Canadenses, estadunidenses, australianos, europeus, e latinos me mostravam em cada bate papo o quanto minha cidade natal era pequena perante o mundo e o quanto eu ainda tinha para conhecer. 
 
A evolução técnica de minhas linhas de surfe, que eu tanto buscava nessa trip, se tornou secundária, mas continuaria a ser a desculpa para todas as minhas viagens  à partir de então. Minha cabeça se tornou um turbilhão de sonhos a serem realizados e todos eles tinham as viagens como caminho para a torná-los realidade. De volta à casa, escrevi para nunca esquecer que queria conhecer todos os continentes e explorar novas culturas. Depois de poucos anos tracei um plano para minha carreira, encerrei meus negócios no Brasil e fui morar no exterior. De lá conheci outros países em outros continentes. Ainda não conheci a todos, como eu planejei no regresso à casa. Mas o sonho permanece vivo e faço questão de realizá-lo por completo. Ainda tenho muito que aprender.
 
Depois da experiência morando fora, quase uma década havia se passado desde àquela primeira viagem ao país latino. Quando voltei ao Brasil, após três anos sem pisar por aqui, o que seria um recomeço do zero foi na verdade uma continuação. Minha profissão hoje exige que eu viaje. Claro que não foi por acaso nem mesmo por pura sorte. Depois de tanto buscar por ondas perfeitas, eu estava preparado para esse tipo de responsabilidade. Ainda que eu escolhesse meus destinos pela qualidade das ondas que eu teria à disposição, nunca deixei de conciliar o surfe com os estudos. Assim aprendi outros idiomas, conheci outras culturas, fiz amizades verdadeiras, me surpreendi e me decepcionei, passei por muita roubada, apendi uma profissão e, é claro, surfei muita onda perfeita por aí afora. Derrubei preconceitos, aprimorei minhas técnicas nos tubos e na maneira de ver as diferenças. 
 
Minha mensagem para surfistas e não surfistas é clara: viaje! Viaje atrás de ondas perfeitas, atrás de história, viaje atrás da vida selvagem ou da vida urbana de cidades cosmopolitas,  sonhe e viaje para tornar realidade, mas viaje. O que você vai encontrar pelo caminho vai superar em muito o sonho do objetivo inicial. O que você vai trazer na bagagem, você vai carregar para o resto da vida.
 
Boas ondas.
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