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Evento irretocável
Por Gustavo Santana em 20/05/15
Gustavo Santana comenta a vitória de Filipe Toledo e o sucesso do Oi Rio Pro
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Bede Durbidge e Filipe Toledo na final do Oi Rio Pro 2015, Barra da Tijuca (RJ). Foto: Henrique Pinguim / Waves


Antes mesmo de começar o evento, a pressão crescia sobre o capitão brasileiro e líder do ranking, Adriano de Souza, e de todos os demais atletas que têm pretensões ao título mundial desse ano. Naquele momento, ainda não se conhecia as proporções que o evento ganharia, mas os gringos não queriam permitir a consagração dos brasileiros, que por sua vez não queriam deixar de fazer parte da festa quase anunciada. 


O Rio tem o poder de transformar eventos em megaeventos. É uma dádiva da Cidade Maravilhosa, que conquistou o direito de sediar o evento no Brasil pela grandeza que dos seus palcos e pela exposição mundial oferecida aos organizadores e patrocinadores de qualquer evento que se realize ali. Por isso o Rock'n Rio é lá, por isso as Olimpíadas serão lá, por isso a final da Copa do Mundo da FIFA foi lá e por isso o CT no Brasil é realizado lá, independente das críticas e da questionável qualidade de suas ondas. 

Nas mesmas ondas, que representam as condições que nossos atletas aprenderam a surfar e competir, nenhum atleta da elite deve ter questionado o fato de o evento ter acabado 5 dias antes do fim da janela de espera. Mesmo que a poderosa Rede Globo possa e deva ter determinado o horário da final, pondo em risco a dinâmica do CT, que sempre opta pelas melhores condições, mesmo que ondas maiores ou melhores pudessem ser surfadas nos dias seguintes, ninguém será capaz de negar que o que se viu nas areias do Rio no último domingo merecia essas concessões. Na TV ligada no horário consagrado por Ayrton Senna, não via corrida de Fórmula 1, tampouco um jogo de futebol. Ao invés disso, trinta milhões de telespectadores assistiam flashes da maior mudança que o surfe profissional já viu. E a melhor parte disso era ver que o show era apresentado por um grupo de amigos brasileiros que eram aplaudidos e empurrados por outro grupo de milhares de fanáticos, também brasileiros, que lotaram a praia e outros milhões do mundo inteiro que acompanhavam pela internet e também pela TV. 

A medida que as baterias avançavam, quem ficava pelo caminho não escondia a frustração de não ir até o fim. A frustração de Adriano de Souza ao perder para Ricardo Christie seria do mesmo tamanho, mas inversamente proporcional à alegria de Filipe Toledo ao somar 19,87, com direito a um dez unânime mais uma vez, na final contra o australiano Bede Durbidge. O garoto de 20 anos vem sendo comparado a Andy Irons pelo impacto que está causando no Tour e pela superioridade técnica (ao menos em ondas de até 4 pés). Filipe foi também coroado pelas palavras do maior nome do esporte. Kelly Slater rotulou o menino como "intocável" em condições como as oferecidas pelas ondas da Barra.  No caminho do pódio, Filipe percorreu uma maratona em meio a velhos e novos amantes do surfe, em cena que podia ter ao centro um grande astro do rock ou alguns dos maiores jogadores de futebol do mundo. Mas quem se via era um novo astro de um velho novo esporte que brasileiros, até mesmo do mais longínquo interior, estão aprendendo a gostar e a amar.   

Em maio de 2015, cinco meses após a conquista do quase inimaginável primeiro título mundial de surfe, o Brasil comemorou em areias cariocas, ao melhor estilo brasileiro, não só o título mundial do ano passado, mas a confirmação de que nossos atletas estão ditando o futuro do surfe competição. Se foi no Hawaii que o surfe foi inventado, se foi na Austrália que o circuito mundial nasceu, se foi no Estados Unidos que o surfe ganhou grandeza, caros leitores, foi no Rio de Janeiro, no dia 17 de maio de 2015, que o mundo viu o marco da revolução brasileira que começou com Gabriel Medina em 2014 e não tem data para chegar ao fim.

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