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Os ex-coadjuvantes
Por Tulio Brandão em 22/12/16
Tulio Brandão analisa o surpreendente desfecho do Billabong Pipe Masters.
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Michel Bourez vence o Billabong Pipe Masters com uma nota 2.53 na última onda, muito comemorada. Foto: WSL / Poullenot.

 

Confesso que não foi o fim de temporada esperado. Na última onda do ano, Michel Bourez, o legítimo campeão da etapa, socou o ar ostensivamente depois de tirar um tubo ordinário que poderia ter sido encontrado no Postinho. Valeu-lhe um 2,53.

Senti desânimo.

Alguém vai argumentar, com razão, que a onda deu ao taitiano a vitória na mais cobiçada das provas. Não importa. Já tivemos finais bem mais triunfais no Havaí.

Seu oponente na final, o americano Kanoa Igarashi, cavou com todos os méritos o espaço na final, mas não saía de minha cabeça o fato de ele ter passado o ano entretido com décimo-terceiros lugares.

Nada que dois dedos de reflexão não dessem conta.

Essa turma chegou para reforçar a ideia de que o surfe é um dos esportes mais disputados do planeta. Muita gente pode ganhar. Matt Wilkinson, com seu início avassalador de temporada, já havia dado a nota.

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Depois de passar o ano entretido com décimo-terceiros lugares, Kanoa Igarashi chega ao pódio com méritos. Foto: © WSL / Cestari.

 
O esporte, portanto, deve soltar fogos para Bourez e Igarashi na ponta. Os dois assumiram um protagonismo com seus próprios méritos.

Para chegar ao inédito título de Pipe (ou melhor, de Backdoor), o taitiano eliminou, na casa do adversário, o cara que por pouco não unificou quase todas as conquistas importantes da última temporada. John John ficou mais uma vez sem o troféu de Pipe.

Em outra chave, o vice-campeão não fez por menos: passou pelo aparentemente imbatível Kelly Slater, nos instantes finais de bateria, mostrando que tem espírito competitivo para lidar com a pressão crescente da elite do surfe mundial.

Em outras baterias, os dois seguiram brilhando. Bourez, inclusive, eliminou no round 5 o último brasileiro vivo no evento, Filipe Toledo, mesmo depois de o brasileiro ter feito uma nota dez. Já Igarashi se impôs por duas vezes diante do gigante Jordy Smith.

A última parada do ano foi um desses eventos afeitos à supremacia dos regulares. Pipeline praticamente não quebrou. O tubo de Backdoor, rápido e agudo, é um obstáculo praticamente intransponível aos surfistas de base canhota. Um nono, de Nat Young e Ryan Callinan foi o máximo que conseguiram surfando de costas para a onda.

Em 2017, ânimo será palavra-chave para a turma brasileira. Passado um ano difícil, com contratempos históricos, é hora de se reorganizar porque a briga está cada vez mais acirrada. Alguns nomes surgem como potenciais vencedores de prova, outros nomes surgem como candidatos reais ao título.

Jordy Smith, silenciosamente, tirou o vice-campeonato mundial de Gabriel Medina. Ano que vem, me parece óbvia a ideia de que ele disputará diretamente o título.

Kelly Slater, como já dito na coluna, anunciou antecipadamente aos juízes que fará sua derradeira temporada em 2017. A julgar pelo que vimos em Backdoor, não será surpresa se ele se meter novamente entre os candidatos reais ao caneco.

Ainda há a possibilidade de retorno de Mick Fanning, um surfista maduro e preciso, que pode tranquilamente atropelar a nova geração e avançar para o tetra.

O mundo terá que conviver ainda com o risco de uma “supremacia John John”. No auge da forma, com o talento amadurecido, confiante com o primeiro título mundial e, não menos importante, tratado pelo mainstream como o novo eleito do esporte, ele terá dificuldade para perder baterias. Isso mesmo, dificuldade para perder.

No cenário apontado para 2017, não há espaço para hesitação na turma brasileira. Some a explosão de Gabriel em 2014 à gana de Adriano de Souza em 2015, adicione mais uma porção de dedicação, uma boa mão de preparação técnica e física e, ainda assim, será um ano suado para Pindorama. A maturidade de parte dos surfistas é ponto positivo, mas é preciso brigar como garoto e ajustar as pontas soltas.  

Como nada nunca vem fácil para essa turma – eles já entenderam isso faz tempo – e sobra talento, dá para apostar as fichas na boa luta. Sempre.

Bom ano novo.   

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