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Favorito, sócio e patrocinador
Por Tulio Brandão em 31/05/17
Tulio Brandão critica participação de Kelly Slater em Fiji.
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Kelly Slater em Cloudbreak, sua onda favorita. Foto: © WSL / Cestari.

 

Kelly Slater é o melhor surfista de todos os tempos. Um mito para além do surfe, para além até dos esportes. Onze vezes no olimpo. Um atleta perseverante que conseguiu oprimir gerações de surfistas talentosos. Um competidor nato, estratégico, mortal.

Em Fiji, possivelmente, ainda é o melhor do mundo. Hoje e sempre. Escolhe um trilho sofisticado, saindo por cima ou bem na base do cilindro. Deixa a cortina depois do spray – às vezes bem depois dos outros. Dropa paredes negativas com indiferença. Cava e rasga no olho da onda com verticalidade, pressão e precisão.

Sim, o americano é o legítimo favorito à vitória em Fiji, pelo surfe e pela história.

Dito tudo isso, vamos aos fatos.

Kelly Slater é sócio da World Surf League (WSL), empresa-entidade que administra e tem a licença dos principais produtos de surfe no mundo, entre os quais o mais importante, o Championship Tour (CT), circuito de elite em que o próprio compete desde 1990. A sociedade se deu na participação da entidade no rancho de ondas artificiais do surfista nos EUA.

Para além disso, Kelly Slater é dono e idealizador da OuterKnown, marca de roupas masculinas sustentáveis, que por sua vez se tornou este ano a patrocinadora oficial da etapa de Fiji do CT. A prova começa no próximo dia 4.

Na minha terra, no meu mundinho real, há uma clara impossibilidade ética nessa situação. Mas, coisas do surfe, diante do rei em seu trono, faltam comentários críticos sobre esse absurdo. Sim, absurdo, com todas as letras. O silêncio prevalece.

No máximo, ouve-se um muxoxo: “ah, mas é o Kelly, né?”

Os princípios da ética são os mesmos para Kelly Slater ou para um grommet mirrado disputando a primeira competição amadora da vida. Ou para o amigo que jamais entrou na água e está a seu lado agora, enquanto você lê este texto. Os limites éticos não variam (ou não deveriam variar) numa sociedade que se pretende minimamente justa. No caso em questão, a questão é ainda mais grave, porque o avanço de sinal se dá numa liga que vive a defender a boa fé da subjetividade de seu julgamento.

Vejam, há uma sutileza aqui. O texto não afirma que haverá favorecimento ao americano na etapa. Kelly tem todas as condições, como já dito 500 vezes, de vencer em Fiji sem a boa vontade da turma de Richie Porta. A diferença é que a discussão, neste caso, não é sobre um dano consumado, e sim sobre a existência de um conflito de interesses, o que gera um risco potencial.

No mundo dos justos, é uma situação clara para se declarar impedimento e dar o exemplo. Mas não. Kelly preferiu faltar à etapa do Rio – com a desculpa de ter que se poupar fisicamente, embora tenha sido visto num swell de gala na Austrália – e partir com tudo para a etapa em que estranhamente é o favorito, o sócio e o patrocinador.

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