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Jaime Viudes
A peça de cima
Por Jaime Viudes em 30/06/17
Jaime Viudes comenta como a técnica se sobrepõe ao equipamento na hora de dominar o noseriding.

Esses dias, o amigo Tiago Bulhões postou um texto bacana no Facebook, relatando que, em conversas com amigos, tem percebido as mais loucas combinações de quilhas para conseguir o tão sonhado noseriding, sem a preocupação de um casamento lógico com a prancha.


Percebi que os comentários associavam o sucesso do noseriding exclusivamente ao equipamento. Dias depois, assisti no YouTube a um trecho do filme Zen, produzido por Augusto Saldanha. As imagens são do fim da década de 90, mas servem para ilustrar alguns pontos.


Antes, um parêntese. Na lógica, prancha clássica pede uma quilha só, e grande. Prancha performance pede quilhas menores, geralmente no sistema 2+1. Ainda de acordo com a lógica, o tradicional Log single fin é a prancha certa para o noseriding. No conceito de muitos, a progressiva não.


As variantes que interferem no noseriding são muitas e vão além das inúmeras possibilidades de combinações das pranchas e suas partes de baixo, como fundos e quilhas. Todo mundo já sabe que, basicamente, uma prancha clássica é larga, reta e pesada. Detalhes que oferecem estabilidade e inércia. Um prato cheio para o footwork. A prancha oscila pouco lateralmente e sempre vai ter velocidade para um deslocamento suave sobre ela. Mas só isso não garante o noseriding.

Já uma progressiva é mais estreita, curvada e leve. E isso não impede um noseriding de qualidade. O noseriding norteia o surfe de longboard, seja no estilo tradicional ou moderno. Essa é uma das poucas verdades absolutas no surfe.


O vídeo começa com o Joel Tudor no nose numa extensa esquerda. Aos 51 segundos de filme, durante um 360° na sua segunda onda, é possível ver a prancha configurada com quilhas no sistema 2+1. As ondas que seguem, mostram que sua prancha funcionou muito bem para o noseriding.


Tive sorte de acompanhar suas atuações no circuito por alguns anos. Joel chegou a usar bastante pranchas mais arrojadas em condições de ondas irregulares, como as que temos no Brasil. Além dele, reparava muito no Bonga Perkins, que é um cara muito mais progressivo, mas sempre começava suas ondas pelo noseriding. E se não fosse possível, garantia em outro momento da onda. Ele também está no vídeo. Não por acaso sua primeira manobra é um bico.


Vale olhar com atenção o minuto 3:10. É possível perceber o Beau Young calibrando a remada. Ele espera a prancha ser sugada até o lip para ficar em pé e se mandar para o nose, com intenção de se colocar em uma condição privilegiada para o momento máximo do surfe de longboard.


Assim como Bonga, Beau Young abusa dos cutbacks para se posicionar no pocket da onda, o lugar mais funcional para o noseriding. Já no fim, Wayne Deane brinca com a curvas, se aproximando da espuma, para ficar sempre no lugar certo.


A semelhança entre eles nada mais é que o foco total no noseriding e o pleno domínio da prancha. Um drive fácil permite maior intimidade com o pocket. É ali que a mágica acontece. De tanto ficar por ali, uma hora percebe-se que a prancha fica coberta de água. A sensação é que tem alguém segurando a rabeta para que a prancha não balance ou embique. A água sobre a prancha vai estabilizá-la e dar condições de brincar com a técnica para desfrutar de um longo e confortável passeio no nariz do pranchão.


A lógica e os conceitos sobre os equipamentos auxiliam. Mas abrir a mente para experimentar vai ajudar a agregar informação para escolher o equipamento certo de acordo com as características do mar. Vai facilitar o entendimento e te transformar num surfista mais completo. Experimentando você cria seus próprios conceitos e não corre o risco de cair em lavagem cerebral. O vídeo mostra, que quando se pensa em noseriding, o mais importante é ter uma prancha obediente, independente das peças que você esteja usando.


A prancha e as quilhas são importantes, mas a peça de cima também conta. Principalmente sua cabeça.

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