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Espêice Fia
Swell bate com força
Por Fábio Gouveia em 22/05/17
Fabio Gouveia relata sessão clássica em Florianópolis na última semana.
Florianópolis (SC). Foto: Alexandre Ribeiro.
Florianópolis (SC). Foto: Alexandre Ribeiro.

A última semana começou com grande expectativa em torno de um forte swell para o estado de Santa Catarina. Os fortes ventos do quadrante nordeste e a procura por um local adequado fizeram muita gente se movimentar na última quinta-feira (18/5).

Alertados pelo fotógrafo Renato Tinoco e a pedido do videomaker e produtor Marcoline, seguimos atrás do objetivo para gravar cenas para um projeto seu junto ao Canal Off. Com grande pilha recebida do freesurfer e amigo de longas datas Paulo Moura, acordamos na madrugada e, juntamente com o também videomaker Igor Zanin, seguimos de jet na caça às ondas na extremidade da ilha.

O contato feito por Tinoco com o local do pico Miro Borges na noite anterior já nos deixou em grande expectativa, que foi confirmada quando aportamos no local. A previsão era também de chuva, mas uma leve luz ainda se manteve no começo da manhã. O fotógrafo Marcelo Castro, que vem acampando no local, já dava a letra de que o surfe iria render.

Abri o pico com Paulo Moura e Alexandre Ribeiro (frequentador assíduo), até que demorasse pra uma galera chegar, pois a maioria usou a trilha de cerca de 35 a 40 minutos como acesso, incluindo o próprio Tinoco. Guerreiro, ele mais parecia um “jumento de carga”, abarrotado de equipamentos.

O início da queda foi de cautela, pois séries fortes de 5 a 7 pés marchavam com frequência próximo ao costão. Direitas quadradas e pesadas ora fechavam, ora abriam. O exercício de paciência para leitura da melhor onda se misturava com adrenalina. Achei duas boas iniciais com tubos razoáveis e negociáveis junto à ondulação triangular que vinha do costão.

Paulo Moura também achou seu rítmo com uma boa. Aos poucos, uma galera ia dando as caras. Marco Polo, Riquinho (Ricardo Wendhausen), Guilherme Tranquilli, Matheus Gonzaga e Jorge Baggio, bodyboarder dropador de cracas e também frequentador do local.

Já estávamos na terceira hora de surfe, quando mais uma turma começava a chegar. Marcio Farney, Raphael Becker e Guilherme Ferreira eram alguns dos que também frequentam bastante esta onda temperamental. Até então, casa cheia, mas nada do nativo Miro. Na real, o cara fica só de olho para a melhor hora e foi isso que aconteceu. Na troca da maré, ele já aparece por trás do pico, como de costume, na melhor da série.

Nesse momento, eu, que já estava cansado, com frio e remando menos, via a velocidade dos que chegavam naquele momento, que foi marcado pela entrada de Julio Terres. Julinho é um surfista local prematuro das ondas fortes, pois desde muito pequeno o via entrar em mares de proporções avantajadas para seu tamanho. Já botou pra baixo no Hawaii, e depois de um tempo meio apagado, vem voltando à tona com bastante disposição. Sem roupa de borracha, já chegou dropando a maior do dia. A onda tinha uns 7 pés, simplesmente quadrada, e quando juntou com o balanço do “sidewash”, se ergueu ainda mais.

Eu estava tentando entrar nessa onda uns 5 metros mais ao rabo quando Terres vira “deep” e rema forte. Acabou não completando o drop e quase foi parar nas pedras. No entanto, sua atitude arrancou aplausos dos presentes, principalmente de Baggio, que também pegou algumas bombas do dia e tubos profundos.

Outros surfistas vieram, e com isso, fotógrafos e videomakers também. Não lembro agora do nome de todos, mas estavam ali Cadu Fagundes, do Shotspot, Rafael Simões e Nelson Ferraz, entre outros. No momento em que saí pra botar algo pra dentro do bucho, fiquei viajando nas cenas. Vi belos tubos de Gui Tranquilli e uma bela onda em que Paulo Moura botou pra dentro sem as mãos. Que salão, meu véi! Riquinho, que surfava com uma 5’3”, também manteve seu ritmo de classe de backside.

Ali havia um contraste em tamanho de pranchas. Eu estava de 6 pés e queria estar com uma 6’4 pra ficar mais confortável e antecipar a remada, mas outros caras estavam mais confortáveis ainda. Fabrício Faca, que também foi um dos presentes e fez um belo tubo, estava de 6’5”, Marcio Farney de 6’10” e Gui Ferreira de 7 pés.

Depois de repor as energias e ficar passando mais frio fora d’água devido à roupa molhada também pela chuva, não me contive diante do espetáculo e voltei ao pico. Nesse momento, Julinho bota pra dentro de um tubo lindo e Moura vem em mais uma de back sem as mãos.

Marcelo Castro, leia-se @camelostsurfphotos, fazia seu cliques sempre na zona de impacto, assim como Tinoco e Cadu. A cada série a turma urrava e só imaginávamos o material que estava sendo captado. Foram umas 7 horas de surfe, e lá pelas 16:30 ainda estava chegando gente, como o bodysurfer Paulo Pilleggi, entre outros.

Exaustos, uma galera nos ajudou a botar o jet novamente na água e desejamos boas ondas aos que ficaram para a última luz. A cena lateral enquanto varávamos a arrebentação rumo à baía interna da ilha era mágica. Tubos quadrados entravam no pico e fiquei imaginando fotografias daquele ângulo com uma “meia téle”. Que dia, que tiro certeiro!

Isso foi confirmado posteriormente por alguns surfistas que buscaram outras ondas e não tiveram a mesma sorte. Se o pico em que fomos é sempre temperamental, até em condições propícias, valeu aquela máxima: quem arrisca, petisca. Good vibrations e até o próximo swell, que, aliás, já tá vindo ali na curva.

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