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Espêice Fia
Apneia para o surfe
Por Fábio Gouveia em 20/06/16
Fabio Gouveia escreve sobre aprendizados em curso de apneia.
Curso de apneia, Florianópolis (SC). Foto: Arquivo pessoal
Curso de apneia, Florianópolis (SC). Foto: Arquivo pessoal

Em abril passado finalmente fiz meu primeiro curso de apneia. Já tinha interesse há um bom tempo, mas a oportunidade só surgiu com a passagem de Cristian Dequeker por Floripa. Fôlego e tranquilidade na hora do caldo é tudo, e em parte, meu medo de ondas grandes é justamente esse. Descer rampa abaixo não é o problema, mas sim tomar na cabeça ou realmente o que vem depois de vacar forte.

Com confiança no fôlego é uma beleza, mas sem, é uma encrenca. Foi no intuito de ampliar minha capacidade pulmonar que compareci à segunda semana de abril à academia Sotália, no bairro do Campeche, para o curso com o mestre Dequeker.

Uma turma grande estava presente, acho que umas 35 pessoas ou mais, entre esportistas de diferentes modalidades. O curso foi de dois dias, sendo na primeira manhã palestra sobre Fisiologia, Anatomia e técnicas de respiração para aplicação da apneia em diversas situações. Todos muito atentos nesta etapa, pois tudo era de extrema importância para o período da tarde, já na piscina, e no dia seguinte em um mar com muita força. 

Na piscina rolou a apneia estática e dinâmica com as variadas técnicas de respiração. Muita gente começou o treino aguentando o tranco com 1/3 da apneia pessoal. Comecei com fracos 1:10min e ao término cheguei aos 3 minutos, o que foi bom. Poderia ter aguentado mais, mas quis guardar sempre uma segurança pra que não chegasse a um possível desmaio, o que ocorreu com um parceiro que chegou aos 4 minutos e apagou geral.

Se não fossem os vários relatos do mestre  muito bem explicados na palestra matinal, teríamos entrado em pânico, mas aquilo fazia parte, pois apneia mata e para praticar tem que ter segurança, sempre com parceiros ao seu lado, o que era nosso caso ali.

Enquanto um fazia apneia, o outro tirava o tempo e o outro ficava monitorando a situação. Depois destes exercícios foi a vez de simulação no ritmo puxado, nadando, pulando e correndo em volta da piscina.

Fiquei exausto, até porque também acabei tendo o azar de fazer o curso com uma forte gripe, o que acabou tirando e muito minha resistência. Ressalto aqui a participação de dois moleques da nova geração do surfe de Floripa, os irmãos Ian e Leo Casal. A turminha tinha 13 e 11 anos de idade, respectivamente, sendo Leo meu mais novo parceiro contratado na equipe Hang Loose. Na hora vi o que traz a evolução atual do esporte, pois moleques aspirantes a futuros surfistas profissionais já estavam ali correndo atrás da evolução.

Fiquei  imaginando se tivesse tido essa oportunidade quando ainda moleque. Com certeza teria perdido e muito o medo de ondas grandes mais cedo. Parabéns ao pai Athos pela visão e iniciativa de inscrever os filhos no curso. No dia seguinte, todos ao mar em condições de 4 a 6 pés fechando e com muita corrente. Nesse dia, tivemos o apoio da Guarnição de Salvamento Praia do Campeche (@LifeGuardCampeche), que, além de monitorar a turma, ao término deu uma aula de salvamento e primeiros socorros.

 

O grupo foi dividido em dois. Entrávamos no mar juntos e chegando ao fundo fazíamos nados sob a superfície em apneia. Alguns acabaram não entrando na primeira investida, afinal nem todos eram surfistas ou estavam preparados para um mar forte, apesar das lições do dia anterior. Na primeira rodada saímos nadando ou pegando jacaré, mas na segunda investida todos teríamos que sair em círculo e de mãos dadas, tomando as bombas na cabeça.

 

Confesso que nessa parte, perante um colega que segurava fortemente meu braço, soltei a roda diante uma onda potente que veio, pois fiquei com receio de que algo desse errado e não queria (lógico) passar sufoco, até porque estava sem forças devido à gripe contraída naquele fim de semana.

Fim de curso e a alegria era geral. O aprendizado fora enorme e com certeza saímos dali mais confiantes. Depois de recebimentos de certificados um a um, aquela foto para a posteridade com o mestre Dequeker e seus parceiros de trabalho. Como a maioria era do surfe, claro, fomos - ainda que cansados - aproveitar umas ondas. Acredito que todos adoraram o curso e eu, em particular, quero fazer outro para fortalecer o aprendizado, pois é muita informação para uma única vez.  E é aquela coisa: a pessoa que incorpora um treino semanal desse fica simplesmente uma “fera” na apneia.

Em breve um relato sobre um dia em que acabei usando a dinâmica do curso em um mar grande, recentemente, na Indonésia.

Para obter mais informações sobre o curso, visite o site Apneia Surf Brasil.

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