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Raquel Heckert
Em busca dos sonhos
Por Thiago Schmitt Rausch em 08/12/16
Raquel Heckert, de 22 anos, fala de sua relação com o surfe e a paixão por ondas grandes.
Raquel Heckert e seu quiver no Havaí. Foto: Arquivo pessoal.
Raquel Heckert e seu quiver no Havaí. Foto: Arquivo pessoal.

Recentemente, Thiago Rausch conversou com Raquel Heckert, surfista de 22 anos, local de Itacoatiara, em Niterói (RJ), que tem mostrado disposição em ondas grandes e está em busca delas sempre que pode ao redor do mundo. Confira entrevista a seguir.

 

Como você iniciou no surfe?

Me apaixonei pelo mar por influência do meu pai, mas comecei a surfar por vontade própria. Como eu não tinha companhia e família próxima que surfasse, tive que provar que era independente o suficiente para ir surfar sozinha. Na época, eu explicava que não ia ter perigo, pois sempre tinha alguém por perto - ou quase sempre tinha (risos). Tive que provar que eu podia ter notas boas e também surfar, e, com isso, acabei percebendo o quanto o surfe era importante para mim.

 

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Influência de Raquel: Bruno Santos sempre à vontade em Itacoatiara, Niterói (RJ). Foto: Matheus Couto.

Quais suas influências?


Eu ficava impressionada vendo o Bruno Santos e o bodyboarder Dudu Pedra surfando tubos enormes em Itacoatiara e, em consequência da minha admiração pela atuação de alguns surfistas, algumas delas começaram a refletir nas minhas vontades, que geraram atitudes de entrega e dedicação total ao esporte.

 

Você prefere freesurf ou competição?


Eu já participei de muitos campeonatos no Rio de Janeiro, São Paulo e Florianópolis. Também participei de uma competições internacionais, no México, em Puerto Escondido, organizado pela Red Bull e o Coco Nogales, onde cheguei até às semifinais, e uma Expression Session Feminina de ondas grandes em um outer reef, no Havaí. Apesar de sempre competir quando tenho a oportunidade, me considero freesurfer.

 

O surfe é um caso de amor? 


Eu amo adrenalina. Fico anestesiada ao passar dentro de um tubo ou pegar uma onda perfeita. É algo que me prende e me faz querer mais. Creio que, pelo fato de eu ter o privilégio de crescer próxima à praia de Itacoatiara, onde se encontra uma das ondas mais tubulares e pesadas do país, acabei desenvolvendo o desejo incessante de quebrar meus limites e aprender algo mais. Não é sempre que o mar está bom, então em cada queda, eu sempre entro pensando que vai render algum aprendizado.

 

Sou apaixonada pelo surfe, é algo que não consigo medir. Sei que Deus colocou essa paixão em meu coração, algo que simplesmente amo e sigo com muita dedicação. Quando fiz minha primeira viagem para Fernando de Noronha, eu já senti algo pelo surfe que não sabia explicar e sabia que queria viajar o mundo pegando ondas.

 

Relembra algum momento marcante?


Em 2012, ao fazer minha primeira viagem internacional para o México, tudo de fato mudou. Depois dessa trip, eu não era a mesma. Eu não tinha mais para onde correr. Ter a experiência de entrar em um mar de 15 a 20 pés, com uma prancha minúscula e assistir a todos descendo morras e tubos incríveis foi muito marcante.

Nos dias comuns, cada vez que entrava no mar, eu saía com um corte diferente (risos). Tomei muitas vacas e pranchadas para pegar os tubos, mas voltava toda sorridente pra pousada contanto minhas histórias. Eu estava fissurada, eram as melhores ondas que já tinha surfado até então.

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Raquel Heckert botando para dentro dos cilindros de Puerto Escondido, México. Foto: Arquivo pessoal.

 

Quais picos já enfrentou que te marcaram?


Já fui duas vezes pro México, duas pro Peru, uma vez pra Indonésia, duas pra Fernando de Noronha e, recentemente, tive minha primeira temporada havaiana, que contribuiu muitíssimo para minha evolução.

 

Como foi sua primeira vez no Havaí?

 

O Havaí foi inacreditável, sem dúvida foi os melhores seis meses da minha vida. Eu tive de trabalhar muito, muito para conseguir realizar este sonho, mas valeu a pena cada dia de cansaço por surfar as melhores ondas minha vida. Eu fui com pouco mais de US$ 1 mil para passar seis meses, meu pai conseguiu comprar a passagem com milhas do cartão de crédito do meu avô, e eu disse para eles que eu ia ir arrumar uma forma de eu sobreviver lá e seguir meu sonho. Trabalhei em troca de estadia para uma igreja americana por quatro meses e morei em uma casa de uma família, porque o dono sentiu no coração que devia me receber. Para comer e pagar as pranchas, tive que trabalhar de faxina em um food truck e também em uma plantação de legumes e tomates.

 

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Raquel Heckert mostrando atitude em Waimea Bay, Havaí. Foto: Fabio Dias.

Eu cheguei no Havaí em outubro e só consegui arrumar uma gunzeira um mês depois. Um amigo meu de Niterói, apelidado de Imbica, deixou meu pai pagar R$ 500 e meu avô R$ 500 para que eu pudesse comprar a prancha 10'6 dele que estava guardada no Havaí.

 

Durante anos, eu sonhei em surfar a onda de Waimea e Pipeline, e graças a Deus, com a fé e persistência que Ele colocou em meu coração, eu consegui surfar em ambos os picos toda temporada. Surfei Pipeline perfeito e só tinha eu de mulher em meio a todos os homens, foi assustador e magnífico. As imagens dos tubos gigantes quebrando na minha frente nunca mais sairão da minha mente. Também peguei um mar gigante no dia em que o Eddie Aikau foi cancelado, porque, na ocasião, eles só teriam quatro horas de ondas grandes e eles precisavam de oito horas para realizar a competição e, com isso, pude surfar as maiores e mais perfeitas ondas da minha vida.


Nunca treinei tanto nas ondas grandes. Surfei Waimea por semanas, teve um período que só tinha swell grande, meus punhos estavam doendo de tanto carregar prancha grande e furar ondas em Sunset, o tempo que eu não estava trabalhando eu queria estar na água, não importando meu estado de cansaço.

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Raquel Heckert botando pra baixo em Waimea Bay. Foto: Bruno Lemos.

 

Do que tem medo?


É bom lidar com limites, sinto que o medo me motiva no surfe e, também, me faz querer controlá-lo e entender qual é o meu limite do momento, até onde posso ir e como devo fazer para equilibrar minhas emoções. Por minha experiência, vejo que há dois tipos de limites: um que posso ultrapassá-lo porque é só a minha mente que me bloqueia de vencer o suposto desafio, e outro limite é o que devo respeitar, no momento, para não me dar mal (risos).

Como é sua preparação física?


Com relação aos treinos, perto de casa, quando não estou surfando ou procurando patrocínio, geralmente dou uma corrida, faço musculação, trilha, ando de skate ou nado.

 

Na fé, não na sorte...


Embora eu não tenha, ainda, patrocínio financeiro para as viagens, Deus sempre coloca alguém no meu caminho que valoriza a minha vida profissional e me incentiva a prosseguir.

 

Sonho nobre...


Meu sonho é viajar o mundo surfando ondas grandes e tubos que me façam romper meus limites. Também quero muito ajudar as pessoas como eu puder, por onde eu passar.

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