NOTÍCIAS WAVESCHECK MENU
Wavescheck
Entenda a previsão de águas rasas

O Waves, como a maior parte do outros sites, disponibilizava anteriormente a previsão de águas profundas do instituto norte americano NOAA.

Apesar de ser bastante confiável, a previsão fornecida para o Brasil é limitada, pois, devido à sua baixa resolução, não leva em conta particularidades da costa.

Esta limitação resulta em alturas significativas superiores às observadas pelos surfistas, ou inferiores quando algum obstáculo é ignorado pela previsão.

Isto exige uma análise mais apurada por parte do surfista, que tem que usar seu conhecimento da região para descobrir em que praias a ondulação indicada vai encaixar.

Numa iniciativa pioneira, o site Waves começou a gerar sua própria previsão de águas profundas especialmente dedicada à costa brasileira, juntamente com uma previsão de águas rasas que leva as ondas em alto mar até a praia.

A previsão para águas rasas considera detalhadamente a costa, ilhas e variações de profundidade que provocam alterações importantes nas ondas. Fatores que são totalmente ignorados pelas previsões da maioria dos sites.

Isto significa na prática uma previsão de qualidade muito superior, na qual o surfista não necessita conhecer a região para saber se a ondulação vai ou não entrar na praia desejada, pois a previsão deixa isso claro.

A previsão de águas rasas já está disponível no site Waves para os estados de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. Enquanto isso, a previsão de águas profundas com resolução superior já está disponível para os outros locais.

Para ajudar a galera a fazer uma melhor análise da previsão criamos uma lista de perguntas frequentes apresentada abaixo.

Por que o modelo de águas rasas é melhor para o surfista?

Além de levar em conta processos físicos que são ignorados pela previsão de águas profundas, o modelo de águas rasas possui uma resolução muito superior.

A resolução determina a distância entre os pontos que o modelo usa para calcular a previsão e obter os resultados.

No modelo de águas profundas do NOAA, a distância entre cada um dos pontos usados para calcular a previsão é aproximadamente de 111 km, enquanto que no modelo de águas rasas é 1 km ou menos.

Ou seja, para cobrir uma distância de 300km, no modelo de águas profundas do NOAA não usamos nem 3 pontos, enquanto que no modelo de águas rasas usamos 300 ou mais.

Este maior número de pontos permite exibir com muito mais detalhe as alterações que a ondulação sofre pela interferência de questões geográficas como a costa, ilhas e variação de profundidade.

Podemos fazer uma analogia com as câmeras digitais. Se considerarmos que o modelo de águas profundas tem a mesma resolução daquelas primeiras câmeras com resolução VGA, o modelo de águas rasas seria uma câmera de 3000 Megapixels. Com esta resolução é possível ainda ampliar bastante a imagem sem que se perca os detalhes.

Apesar da alta resolução do modelo de águas rasas, ele também possui suas limitações e é importante entendê-las para não fazer uma análise incorreta da previsão.

Como explicamos anteriormente, o modelo calcula os resultados da condição do mar para uma malha de pontos pré-definida que possui um espaçamento determinado pela resolução do modelo.

Para obter o resultado para pontos que estão fora desta malha é necessária uma interpolação ou extrapolação com valores dos vizinhos mais próximos.

Na figura à direita temos um exemplo de interpolação e extrapolação. Pode-se dizer que se trata de uma estimativa com base nos valores vizinhos.

Para toda região junto a costa é necessária uma extrapolação dos valores.

Na figura abaixo, podemos ver em laranja a área que é extrapolada para o modelo de águas rasas e de águas profundas. Nota-se que a área é bem maior no modelo de águas profundas, o que resulta numa maior incerteza nos valores extrapolados.

Apesar da resolução superior, o modelo de águas ainda pode criar distorções similares ao de águas profundas, na qual o recorte da costa tiver uma escala inferior a sua resolução.

Ao lado, temos o exemplo da praia do Saco do Major marcada pelas linhas vermelhas. O modelo não considera a sua pequena enseada, pois ela se encontra na área laranja, onde a condição não é calculada pelo modelo.

Nesta área, a condição é aproximada por uma extrapolação dos valores nos pontos vizinhos, que ignora o pequeno “saco”.

Pode-se notar pelo mapa que esta praia fica totalmente protegida da ondulação do quadrante leste, porém o modelo indicará a presença de ondas mesmo que seja do quadrante leste, pois o recorte na costa acontece numa escala inferior à resolução do modelo.

Por que estão marcados dois pontos no mapa?

Durante o cálculo da previsão o modelo registra para cada ponto todas as componentes da ondulação, assim como os valores consolidados como altura significativa, período e direção da ondulação de pico (ondulação com maior energia).

A evolução da altura significativa, período e direção de pico para os dias seguintes são apresentados no gráfico cartesiano acima do mapa.

O espectro da ondulação, fornece a informação das suas diversas componentes, em que cada instante é apresentado no gráfico espectral ao lado.

Como são muitos pontos e o espectro carrega muita informação, não é possível disponibilizar o espectro para todos os pontos do mapa.

Assim escolhemos pontos estratégicos com informação do espectral e quando selecionamos a previsão de um ponto no mapa o sistema escolhe o espectro disponível mais próximo.

No mapa, a intersecção das duas linhas vermelhas (cruz grande) indica o local em questão, cuja previsão é apresentada no gráfico cartesiano (quadrado).

O marcador vermelho indica a posição do espectro mais próximo disponível, cuja previsão está apresentada no gráfico espectral (redondo).

O que é altura significativa?

Tecnicamente é a média da terça parte das ondas com maior altura registadas durante um determinado tempo.

Poderíamos pensar em algo como a média de tamanho das ondas da série, porém isto seria uma aproximação.

É interessante notar que o tamanho das ondas varia bastante num período relativamente curto de tempo.

Por isso é possível, ou provável, que num mar de altura significativa de 1,5 metros apareçam ondas de 2 metros, bem como ondas de meio metro que só quebram no inside.

Diante disso, não podemos questionar uma previsão de 1,5 m se alguém mostra uma foto de alguém surfando uma onda de 2 metros no dia em questão, ou pegando meio metro no inside.

O que é o espectro e como funciona?

As ondas na superfície do mar normalmente não são compostas apenas por uma componente de ondulação, mas por várias que se sobrepõem com direções e períodos diferentes.

No gráfico do espectro, cada mancha corresponde a uma componente e sua posição determina sua direção e período.

A distância da componente ao centro determina seu período: quanto mais distante do centro maior o período.

Componentes localizadas na parte inferior do gráfico são provenientes do sul, enquanto as na parte direita são provenientes do leste.

Quanto mais concentrada for a mancha num só ponto, mais “clean” será essa ondulação. Em contrapartida, quanto maior a mancha mais “bagunçada” serão as ondas.

No exemplo, temos apenas uma componente de sudeste com período entre 10 e 15 segundos.

O que é período e qual sua importância?

Período é o intervalo de tempo entre duas ondas vizinhas passando no mesmo ponto. Podemos dizer que o período é proporcional a distância entre duas ondas vizinhas.

Componentes com período baixo são ondas “desajeitadas” geradas muito próximas do local observado. Elas não tiveram espaço para propagar e provavelmente o vento que as gerou ainda está atuante. Pode ser um mar pequeno “bagunçado” ou grande, normalmente chamado de “storm”.

Por outro lado, componentes com período alto foram gerados em regiões distantes e tiveram espaço para propagar pelo oceano e se organizar, chegando à costa alinhadas e sem interferência do vento que as gerou.

A onda perfeita para o surfista é uma onda lisa e sem perturbações de outras ondas. Portanto, quanto maior o período melhor a ondulação para prática do surf e a chance de ter um mar “clássico”.

Porém, devemos lembrar que existem outros fatores para essa onda perfeita proporcionar uma condição para o surf.

Por exemplo, uma componente de período menor pode interferir negativamente sobre uma ondulação de período alto, introduzindo uma balanço no mar. A direção também pode influenciar bastante.

É melhor ter um ou mais componentes de ondulação?

Depende, conforme explicado na questão anterior uma componente pode interferir negativamente sobre outra componente gerando um balanço nas ondas.

Mas, dependendo da geografia da praia e das componentes envolvidas, esta interferência pode ser positiva.

Qual a importância da direção da ondulação?

A relação entre a orientação da praia e a direção do ondulação pode ser fundamental, podendo levar uma ondulação com um ótimo potencial (altura e período altos) a gerar uma onda que fecha inteira sem parede para surfar.

Por que período e direção da ondulação de pico?

Não faz muito sentido falarmos em período e direção média da ondulação, pois isto pode não representar bem a realidade

Por isso, quando se fala de período e direção, a informação mais relevante é o período e direção da componente com mais energia do espectro.

A altura indicada na previsão é efetivamente o que vai estar na praia?

A altura significativa será próxima da observada na praia, mas existem fatores que podem causar variações significativas.

Apesar da alta resolução do modelo de águas rasas, existem pequenos obstáculos e variações bruscas de profundidade junto a praia que podem possivelmente ser ignorados pela previsão.

Na resolução atual, a previsão de águas indica a condição das ondas a uma distância bem próxima da costa, mas normalmente antes do momento em que a onda começa a quebrar e atinge sua maior altura.

Neste caso, o valor da previsão possivelmente será inferior ao observado na praia. Numa análise que fizemos, percebemos que para maioria das praias o valor previsto foi bem próximo. A exceção fica para praias de tombo, onde variações bruscas de profundidade implicaram num maior empinamento (emparedamento) das ondas quando quebram na praia.

No caso de algum pequeno obstáculo ser ignorado, o valor previsto pode ser superior ao observado. Veja o exemplo do Saco do Major discutido na primeira pergunta.

Outro fator que pode apresentar ondas maiores do que o previsto na praia são casos onde o espectro tenha somente uma componente, isto é, ter só uma ondulação. Principalmente quando a "mancha" no espectro for pequena e bem pontual, ou seja, toda energia das ondas está concentrada em uma só direção e período. Esses casos ocorrem com mais frequência em ondas de período maiores que 10 segundos.

É melhor ter no espectro uma componente de ondulação formando uma "mancha" maior ou menor?

Conforme explicado na questão anterior, quando a "mancha" no espectro for pequena e bem pontual, toda energia das ondas está concentrada em uma só direção e período.

Isto pode fazer a onda chegar na praia com um tamanho maior do que o previsto. Estes casos ocorrem com mais frequência em ondas de período acima de 10 segundos.

Onde posso obter mais informações sobre a geração de ondas?

Confira artigos escritos pelo Professor Eloi Melo para o Waves.

Como se formam as ondas

Ondas em alto mar

Por que agora a direção da ondulação no meu pico é sempre a mesma?

Esta questão que tem sido muito frequente com a mudança da previsão de águas profundas para a de águas rasas.

Para responder a esta questão vou pegar como exemplo a praia de Maresias.

A praia de Maresias fica bloqueada pela Ilha Bela para receber ondulações de leste, fato que o modelo de águas profundas ignorava e que é levado em consideração pelo modelo de águas rasas.

Por isso, o modelo de águas rasas não indica uma previsão de ondulação de leste para praia de Maresias, pois lá não entram ondas de leste devido à localização da Ilha Bela. Somente serão exibidas no indicador de direção de pico e no espectro as componentes da ondulação que são capazes de chegar à praia.

Isto permite apresentar uma previsão de altura significativa, período e direção para praia muito mais precisa.

Na figura abaixo, temos uma mapa de previsão das ondas em que a ondulação ao longe da costa é basicamente de leste. Pode-se notar que esta ondulação não atinge a praia de Maresias que deve ficar com poucas ondas conforme será indicado no gráfico.

Pode-se notar o mesmo em Santos, onde a baía bloqueia as ondulações de leste.

Na mesma situação o modelo de águas profundas indicaria no gráfico ondas de um tamanho que nunca atigiria a praia.

Por que agora o período está sempre maior do que era indicado anteriormente ou comparando-se a outros sites de previsão?

Isto ocorre porque a componente com período menor, mas com mais energia (altura significativa) indicada pelos outros sites, fica bloqueada por algum acidente geográfico e não chega à praia em questão.

Muitas vezes a componente que chega a praia é uma de menor energia, mas com um período maior.

Como agora posso ver a ondulação ao longe da costa?

Inicialmente você pode ter esta informação pela simples observação do mapa da previsão.

Mas no caso de desejar observar o gráfico num posição ao longe da costa, isso também é possível. Veja como a seguir.

Como posso ver a previsão para um pico não cadastrado no boletim Wavescheck?

Nosso sistema permite gerar o gráfico da previsão para qualquer ponto do mapa.

O primeiro item da lista de picos da área de previsão é "-- Clicar um ponto no mapa --". Selecione esta opção e clique no ponto do mapa no qual deseja criar uma previsão.

Por que as previsões erram?

Bem, previsão é previsão. É o melhor julgamento que se pode fazer de algo que vai acontecer. Ou seja, é passível de erros.

A boa notícia é que a previsão das ondas é mais simples se comparada à previsão atmosférica, do tempo.

A má notícia é que, de certa forma, a previsão das ondas depende da previsão do tempo.

A previsão das ondas é mais simples porque se trata de um fluído incompressível (ignorasse o efeito da pressão) e sua propagação ocorre numa superfície (duas dimensões).

A previsão do tempo trata de um fluído compressível (ar), num modelo multidimensional (três dimensões) com muito mais variáveis.

Como o modelo de previsão das ondas representa os processos de formação e propagação das ondas, e as ondas são formadas basicamente pelo vento, uma das principais informações usadas pelo modelo é a previsão dos ventos.

Assim, o sucesso da previsão das ondas depende do sucesso na previsão do tempo.

Quando terei o modelo de águas rasas no meu pico?

Esperamos expandir a previsão de águas rasas para a maioria dos estados do Brasil.

O processo de representar numericamente o fundo do mar, costa e ilhas é trabalhoso e leva algum tempo.

Porém, estamos rodando um modelo de águas profundas como uma resolução bastante superior ao do NOAA e em breve estaremos disponibilizando esta previsão para todos estados do Brasil, e quem sabe do mundo.

Problemas conhecidos

Existe um problema na seta que indica a direção no gráfico de previsão para versões mais antigas do Firefox e no Interner Explorer 9. Neste caso, apesar de a seta estar travada, a sigla indicativa da direção está marcando o valor da direção corretamente.

Estamos corrigindo o problema, mas isto também pode ser solucionado buscando atualização do navegador.

Tenho outras dúvidas.

No caso de haver outras dúvidas ou notar algum problema no sistema, envie sua dúvida para webmaster@waves.com.br.

Gostaríamos de agradecer aqueles que nos enviam suas dúvidas, pois este artigo só foi possível graças a elas. Esperamos poder melhorá-lo e torná-lo mais apropriado com a colaboração de vocês.