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Bom de bico
O ano dos pranchões
Por Redação Waves em 25/12/10
Jaime Viúdes destaca o longboard em 2010 como participação de Phil Rajzman (foto) no mundial do Hawaii.
Atalanta Batista, Petrobras Longboard Classic 2010, praia da Macumba, Rio de Janeiro (RJ). Foto: Marcio Rodrigues / Fotocom.net.
Atalanta Batista, Petrobras Longboard Classic 2010, praia da Macumba, Rio de Janeiro (RJ). Foto: Marcio Rodrigues / Fotocom.net.

Este ano voou!  A sensação de o tempo passar rápido aumenta de acordo com o grau de envolvimento com nossos afazeres. Ainda que com muito sacrifício, hoje tenho o privilégio que minha principal tarefa seja o surf. Então, se o tempo voou pra mim, foi porque surfei bastante em 2010.

 

O primeiro semestre sempre é difícil por ter poucos eventos. Bom para fazer pré-temporada, malhação forte, viagens e matérias são fundamentais para se sentir produtivo. Mas foi um bom ano, acima da média até.

 

Começamos em grande estilo no Peru, em fevereiro, com um LQS (Longboard Qualifying Series) 6 estrelas. Esquerdas perfeitas quebraram com até 2 metros por vários dias. O evento foi um marco, exemplo de organização e respeito aos atletas. Rodrigo Sphaier, local da poética Saquarema (RJ), venceu o local hero de Huanchaco, Piccollo Clemente.

 

Em maio, dois eventos seguidos abriram a temporada de campeonatos no Brasil. O Festival Lupa Lupa, etapa do circuito carioca, rolou com altas ondas na praia da Macumba (RJ). Rodrigo Spahier enfrentou os “macumbeiros” Roger Barros, André Luis Deka e Marcelo Freitas e os venceu em casa.

 

O Petrobras Longboard Classic abriu o circuito brasileiro profissional, em Jacaraípe (ES). Foi um campeonato marcante pela qualidade das disputas. Apesar de ondas pequenas, baterias quentes definiram a final entre o Rodrigo Sphaier e eu, saindo ele campeão. Estou vendo que vou escrever o nome do bicho várias vezes neste texto!

 

Agosto mais eventos da ASP. Invadimos o Nordeste para duas etapas do LQS. A primeira foi no paraíso de Itacimirim (BA), evento 6 estrelas, ou seja, US$ 30 mil em jogo. Quem levou foi Jejé (Jefson Silva), figuraça de São Sebastião (SP), que faturou US$ 8 mil pelo caneco. Na final ele derrotou seu quase xará, Jefferson da Silva, outro malandro talentoso de Saquarema.

 

Pernambuco já é tradicional no calendário. O Pena Pernambuco Longboard Legends foi a terceira (e última) etapa do LQS e definiu o ranking sul-americano. Maracaípe como sempre destruiu uma penca de longboards nos treinos e baterias. Halley Batista levou a etapa com o danado do Jejé em segundo, fazendo duas finais consecutivas em eventos da ASP. Festa para o cometa (Halley), filho da terra! O campeão sul-americano foi Rodrigo Sphaier.  Olha o bicho aí de novo...

 

Setembro, segunda etapa do brasileiro. O Festival Ecovias reuniu a nata do longboard no Quebra-Mar, Santos (SP), casa do Picuruta, nosso general maluco. Começou com altas ondas e terminou na marola. Jefferson da Silva desta vez venceu, fez a mala do Danilo Mulinha na final. O destaque foi o itanhaense Jonas Lima, que eliminou nomes de peso.

 

Começo de novembro, a tradicional marca francesa Oxbow, que por muitos anos investiu em eventos de longboard pelo mundo, fez sua despedida das competições com a única etapa que definiu o titulo mundial de 2010 em Makaha, Hawaii.

 

Tudo foi preparado para uma vitória do Duane de Soto. Criado em Makaha e principal atleta da Oxbow, ele aproveitou bem a oportunidade e venceu o evento, tornando-se campeão do mundo. Picuruta, Eduardo Bagé, Deka, Amaro Matos e Phil Rajzman foram nossos guerreiros.

 

Com exceção do Deka todos se mantiveram entre os top-16 e estão garantidos para o ano que vem, isso se tiver circuito. O melhor colocado no ranking mundial é o macaco albino (Phil), na quinta colocação. Juntam-se a eles o Sphaier e o Jejé, que conseguiram vagas pelo sul-americano.

 

Um acontecimento importante que deve ser celebrado pelo surf brasileiro foi o aniversário de meio século de vida do Picuruta, nossa maior referência no longboard competitivo, pai de uma geração que respeita e agradece todos os seus ensinamentos, principalmente como ser um competidor de caráter.

 

Vamos ter que aguentar ele mais tempo, está parecendo o Zagallo fora da água, ou o Mumm-Ha (múmia milenar do desenho dos Thundercats), mas, ao contrário do desenho, não precisa se transformar para continuar no rip e atazanando geral.

 

A última etapa do circuito brasileiro terminou como sempre na praia da Macumba. André Luis Deka, surpreendeu a todos ao vencer o PLC e sair da quinta colocação no ranking para levar o titulo brasileiro.

 

Apesar de ter sido impecável nas suas baterias, teve grande ajuda do folclórico saquaremense Jeremias da Silva (Mica), que eliminou três favoritos ao titulo, Sphaier, Mulinha e eu, pelas posições que ocupávamos. Mica passou o ano todo quieto, engordou muito depois que conquistou seu título brasileiro, parecia que estava hibernando. Chegou na Macumba mais magro (não muito) e foi vice da etapa, esculhambando o panorama das disputas. “Colé” Negão, fez a dieta do Ronaldo Fenômeno?

 

Rodrigo Sphaier ainda venceu o Billabong World Games no Peru, tornando-se campeão mundial pela ISA. Uma conquista que coroou um grande surfista e um competidor íntegro. O careca foi sem dúvidas o melhor longboarder do ano! Vamos ter que dar um jeito na galera de Saquarema ano que vem...

 

As meninas vêm absorvendo melhor o espírito da modalidade, surfando com mais leveza e beleza plástica. Atalanta Batista e Fernanda Daicthman foram as melhores surfistas do ano no circuito brasileiro, campeã e vice respectivamente. Chloé Calmon e as irmãs Avelino (Shayana e Jasmim) também se destacaram. Em breve serão referencias importantes para as próximas gerações.

 

Uma das principais notícias do ano foi a criação da ABL (Associação Brasileira de Longboard), que trabalha para um circuito forte com possibilidade de nove etapas. Seis estão praticamente prontas. Com atletas fazendo parte da diretoria, a nova entidade tem tudo para seguir o caminho do sucesso e fortalecer o longboard brasileiro.

 

A modalidade vive um momento especial, independente de competições. O Brasil parece estar enxergando seu valor histórico. Cada vez mais surfistas se identificam com o old style dos pranchões e muitos moleques já dão os primeiros passos no surf com uma prancha nove pés. O mercado já se mobiliza em função da expansão do longboard.

 

Se os anos anteriores a bomba de possibilidades esteve prestes a estourar, 2011 certamente será o ano da explosão. Sobreviva e verá!

 

Feliz 2011!

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