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Maratona dos pranchões
Por Redação Waves em 16/02/12
Jaime Viúdes comenta maratona de competições de longboard no início da temporada.
Carlos Bahia, Danilo Mulinha, Halley Batista e Alex Leco no pódio do Club Social Longboard Pro em Itapuama (PE). Foto: Alex Leco.

O ano começou quente para o longboard nacional. Nunca na história da modalidade se viu tantos campeonatos num curto espaço de tempo.

 

De 13 de janeiro a 3 de fevereiro, foram quatro seguidos, sendo três valendo pelo ranking brasileiro da Associação Brasileira de Longboard e o outro como etapa de abertura do Longboard Qualyfing Series, homologado pela ASP.

 

A ABL fechou os dois primeiros eventos com a empresa Club Social, iniciando na praia do Futuro, Fortaleza (CE). No Ceará, o forte vento não deu trégua e o que se viu foram condições sofríveis para o surf de longboard, com um mar bastante batido e difícil de distinguir o que era uma ondulação e um simples balanço.

 

Jaime Viúdes passeia rumo ao pódio em Huanchaco, Peru. Foto: Carlos Bahia.

Fundamentos tradicionais, como o footwork e o noseriding, ficaram seriamente comprometidos e por isso foram bastante valorizados quando alguém conseguia realizá-los. Dessa forma, dois nordestinos aproveitaram para se destacar.

 

Geraldo Lemos e Robson Fraga, o "Siri", mostraram intimidade com as condições e despacharam muitos favoritos, principalmente Geraldinho, que estava em casa e abusou da verticalidade para chegar à decisão contra o Phil Rajzman.

 

O cabra estava arretado, surfando com pressão e arrancando notas altas dos juízes para eliminar Siri em uma das semifinais. Phil me venceu na outra semi, numa disputa bastante acirrada onde nós dois surfamos de forma mais completa, usando tanto a verticalidade como a linha horizontal.

 

Tanto foi assim que Phil acabou virando nos segundos finais com um hang five, emendado por um curto hang ten e outro mais longo, para depois explodir a junção na beira.

 

Na final, Geraldo não encontrou as ondas que lhe levaram até lá e Phil teve mais sorte nas suas escolhas. Com sangue frio e competência, faturou a primeira etapa.


Pernambuco Do Ceará, o circo partiu para Pernambuco, na paradisíaca Itapuama, local que fica bem próximo ao polêmico Porto de Suape, responsável pelo desequilíbrio ambiental que resultou no ataque de tubarões na costa do Recife.

 

Apesar da proximidade, naquela área nunca houve registros de ataques e, apesar do grilo, a galera surfou tranquilamente. As condições das ondas estiveram bem melhores do que na etapa anterior, principalmente pela manhã, antes de o vento entrar.

 

Apesar de pequenas, as ondas estavam limpas, o que facilitou um surf polido, com ênfase nas manobras clássicas. Como perdi nas oitavas, preferi ir embora, pois em dois dias viajaria para o LQS no Peru, então não acompanhei ao vivo o desenrolar do campeonato.

 

Danilo Mulinha venceu Carlos Bahia em uma das semifinais e Halley Batista passou por Alex Leco na outra, numa bateria bem apertada. Vale ressaltar nessa etapa a boa competitividade tanto de Mulinha quanto de Leco.

 

Mula pelo sangue frio em virar os resultados sempre nos minutos finais de todas suas baterias. Já o local de Maresias vem apresentando uma evolução muito boa na parte tática e suas últimas apresentações demonstram isso.

 

Na decisão, o atual campeão brasileiro fez valer a boa fase e virou em cima de Halley, que praticamente surfava em casa, já que é local da vizinha Maracaípe.


Essa etapa também contou com a categoria Feminino Profissional. Atalanta Batista, campeã brasileira de 2011, venceu em casa. A bicampeã brasileira Mainá Tompson ficou em segundo, seguida da paranaense Thiara Mandelli, em terceiro, e Aline Chaves em quarto.

 

Eu não assisti a essa final, mas, pelo que tenho visto ultimamente, parece que os juízes vêm entendendo, principalmente no Feminino, a importância de valorizar uma linha mais polida, com a técnica se sobrepondo à força.

 

Isso estimula um surf mais plástico e preserva elementos tradicionais, embora as manobras de lip e junção sejam fundamentais.

 

Matar baratas e base arreganhada definitivamente não combinam com longboard, principalmente com o surf das meninas. Com essa análise mais crítica no julgamento, a categoria feminina só tem a ganhar e já vem mostrando grande evolução com isso.


Huanchaco Muita gente voou direto para o Peru, sem nem passar em casa, afinal a etapa 6 estrelas do Longboard Qualyfing Series começaria três dias depois. Em sua terceira edição, o Huanchaco Longboard Pro Peru já vem se tornando tradicional no calendário dos longboarders brasileiros.

 

Além da oportunidade de competir em ondas perfeitas, o tratamento da organização, mídia e do povo peruano supera as expectativas. Os atletas são tratados com muito respeito e por isso muitos fazem questão de voltar lá. A cidade de Huanchaco é bastante acolhedora, com preços acessíveis e boa comida. Infelizmente este ano as ondas estiveram pequenas, embora sempre perfeitas.

 

Nos dois últimos dias, o mar ganhou mais pressão e o que se viu um grande show de longboard. Acostumados a competir no formato homem-a-homem no circuito brasileiro, a galera sofreu em baterias de quatro surfistas nas três primeiras fases, principalmente com a demora entre as séries. Muito nego bom perdeu sem poder mostrar o que sabe. Coisas da competição.

 

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