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O melhor aos 41 anos
Lohran Anguera Lima conta a história da passagem de Kelly Slater (foto) pelo posto médico do Billabong Rio Pro.

 

Kelly Slater e Flor durante uma sessão de massagem no WCT. Foto: Lohran Anguera Lima / Near The Ocean.

Campeonato feminino na água, poucos atletas homens no palanque. David Wood, chefe de segurança da ASP, entra na sala do centro médico segurando seu celular, como se lesse uma mensagem para, discretamente, perguntar à Maria Florencia, massagista do WCT mais conhecida como Flor, se ela estaria livre às 15:30h.

A partir daquele momento, entendi do que se tratava. Ou de quem se tratava. Esse procedimento não é algo corriqueiro. Quando o atleta quer ou precisa de atendimento médico, ele entra na sala de atendimentos e é atendido. Simples assim.

Haja vista toda essa cerimônia de agendamento de horário, certamente tratava-se de Kelly Slater.

16:00h no relógio do punho, 16:05h no do celular. Nada de o careca aparecer. Pensei naquele momento: ou o horário não era para Kelly ou ele desistiu. Tudo bem, sem problemas. O trabalho no centro médico continua normalmente (não que tivesse parado para recebê-lo).

Às 17:30h, já nos últimos raios de sol, aparece o 11 vezes campeão mundial. Um certo abuso com os profissionais da saúde que trabalharam das 6:30h da manhã até o referido horário, alguns sem mesmo almoçar? A meu ver, um pouco. Mas o que interessa é que, quando ele chega, a fome dos que não almoçaram passa, o cansaço dos que trabalharam o dia todo cessa. E todos trabalham como se o último a ser atendido fosse o primeiro. Disposição lá em cima.

Flor faz massagem em Kelly durante, aproximadamente, duas horas. “Ela sabe como tratar uma pessoa”, disse o campeão depois da sessão. E Flor só parou a massagem porque o australiano Jason Gilbert, quiropraxista do WCT, precisava ajustá-lo. Seria mais uma hora de exercícios e manobras.

Jason cuidou da lombar, cervical, ombros e joelhos de Kelly. Na hora de ajustar a cervical, Slater contou que tentou ajustar seu irmão no final do ano passado: “Eu ajustei meu irmão no final do ano. Tracionei a cabeça para liberar o espaço entre as vértebras e fiz a manobra. Acho que ele ficou com um pouco de dor. Eu, definitivamente, não sei fazer isso”.

 

 

Em relação aos ombros, uma queixa do 11 vezes campeão mundial: “Sinto dor ao fazer o swing quando jogo golfe”. E o atleta mostrava, repetidamente, como era o seu swing. Parecia sentir-se jogando golfe naquele exato momento.

Em relação aos joelhos, aconteceu algo curioso. Kelly pegou um dos instrumentos de Jason Gilbert e começou a trabalhar a musculatura próxima ao joelho por conta própria. Isso ocorre porque ele conhece tudo de seu corpo, sabe onde tem dor e o que deve fazer para não sentir mais nada, algo admirável para alguém que não é da área da saúde.

E depois de três horas de massagem, ajustes e exercícios, quando acreditei que Kelly iria embora, começam 15 minutos de contração muscular induzida por um pequeno aparelho, procedimento chamado de eletroterapia.

Encerrados os 15 minutos, Kelly é dispensado. Está cansado, como se tivesse corrido durante uma hora. “Vocês têm água aí?”. Dois copinhos são entregues. E ele bebe como se neles houvesse a última água do planeta. Suspira, faz brincadeiras, agradece e retorna ao hotel.

A primeira conclusão: longe das câmeras e do fanatismo excessivo dos brasileiros, Kelly é extremamente gentil e educado. Conversa com todos, pergunta coisas apenas por curiosidade e se interessa pelo que as pessoas em volta têm a dizer.

A segunda conclusão: para ser o melhor do mundo, mesmo com 41 anos, não basta apenas surfar. Pelo contrário, os trabalhos fora da água são mais intensos, demorados e extenuantes. É o preço que a idade cobra de um atleta de alto nível. Kelly Slater entende isso e se dedica como nenhum outro atleta do tour.

 

No dia seguinte, ele retorna para mais uma dessas maratonas. Porque é o que ele faz, quase, diariamente para continuar sendo o melhor de todos, mesmo aos 41 anos.

 

Lohran Anguera Lima é editor do blog Near the Ocean.

 

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