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Caíram de pé
Por Tulio Brandão em 10/03/13
Tulio Brandão analisa as derrotas de Alejo Muniz (foto) e Filipe Toledo na terceira fase do Quiksilver Pro na Austrália.

 

Alejo Muniz exibe seu arsenal de manobras refinadas durante o Quiksilver Pro em Snapper Rocks. Apesar da derrota, deixa ótima impressão na Austrália. Foto: © ASP / Kirstin.

Passei a última madrugada de olho em dois surfistas: Alejo Muniz e Filipe Toledo . Os dois perderam prematuramente na abertura do WCT 2013, em Snapper Rocks, mas deram ao Brasil boas notícias.

 

Estão em excelente forma física e técnica, e o espírito de ambos parece preparado para a guerra que vem por aí. A temporada vai ser difícil.

 

Filipe foi o primeiro a entrar na água. Estreava no round 3 do WCT como surfista integrante do circo, na casa do adversário, contra o cara que ano passado venceu o evento. 

 

Aqui, vale dizer umas palavras sobre Taj Burrow. Embora eu admire seu surfe veloz e potente, faz tempo que vejo nele um cara sem paixão, sem vontade de fazer diferente, que pode ser tranquilamente derrotado por um estreante com mais coração e uma certa dose de talento.

 

Os juízes, com razão, gostam muito do surfe de Taj, e o colocam, normalmente, num patamar alto de notas, às vezes distante do alcance de um estreante. Isso tem salvado Taj de algumas derrotas prematuras.

 

Na madrugada de domingo, ele realmente venceu Filipe, mas deixou uma janela perigosamente aberta para o brasileiro, que precisava de 6 e pouco. O garoto de 18 anos veio numa onda menor, botou a prancha na rampa de lançamento e voou alto. Se voltasse, seria inapelável: viraria a bateria e eliminaria o local australiano.

 

Filipe ignorou a indiferença de alguns em relação ao seu nome e começa a se impor da melhor maneira, pelo surfe, pelo assombro das manobras modernas. Mantenha esse caminho.

 

Fora d’água, Ricardinho Toledo se contorcia, como se estivesse de lycra. A presença do pai, desde que na medida certa, pode ser uma diferença importante para Filipe em 2013.

 

Já Alejo voltou a exibir sua ótima forma contra o forte e pesado Michel Bourez. O taitiano abriu a bateria arrasador, jogando água para todo lado, com ondas nas casas de 8 e 9. 

Mas Alejo é um surfista preparado para a adversidade. Buscou as ondas certas e, mais uma vez, criou uma saia justa para os juízes, que tiveram que escolher quem iria adiante. Elegeram Bourez, mas os velhos décimos que os separaram não disseram muita coisa.

 

Alejo e Bourez teoricamente empataram. Um foi mais potente, outro bateu mais no crítico e finalizou melhor. Cada mortal que voltar ao heat review vai ter uma opinião. A ASP até poderia pensar na figura de um empate com nova disputa, para reduzir o dano de quem perde nessas circunstâncias, mas temo que o instrumento seja usado para salvar ídolos de derrotas claras.

 

Não adianta: o surfe será sempre subjetivo. Resta a Alejo olhar para Bells.

 

A etapa de abertura de 2013 revelou também o que deve se tornar uma constante do surfe contemporâneo: contusões geradas por manobras progressivas. Em Snappers, os dois maiores destaques da nova geração foram para o departamento médico. Primeiro, Gabriel Medina, que torceu o tornozelo antes mesmo de começar a voar. Depois, John John Florence, ao abusar do contorcionismo durante a Expression Session. Haja ligamento para tanta manobra.

 

Tulio Brandão é jornalista, colunista do site Waves e autor do blog Surfe Deluxe. Trabalhou nove anos no Globo como setorista de meio ambiente e outros três anos no Jornal do Brasil, onde cobriu surf e outros esportes de prancha. Atuou ainda como gerente de Sustentabilidade da Approach Comunicação. Na redação, ganhou dois prêmios Esso, um Grande Prêmio CNT e um Prêmio Abrelpe.  

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