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Shaper globalizado

Xanadu analisa mercado

Por Ader Oliveira em 18/03/09 20:27 GMT-03:00

Xanadu produz cerca de 90 pranchas durante curta passagem pela Austrália. Foto: Ader Oliveira.

O shaper Paulo Xanadu é um dos principais talentos brasileiros na arte de produzir pranchas.

 

Residente na Califórnia (EUA) há mais de duas décadas, Xanadu conseguiu ter seu talento reconhecido internacionalmente. Suas pranchas são requisitadas na Austrália, Estados Unidos e Brasil, bem como em outros países.

 

Durante passagem pela Austrália, onde produz cerca de 80 a 100 pranchas sempre que visita o país, Xanadu concedeu uma entrevista ao Waves e falou sobre o mercado de pranchas no mundo, as novidades que vem produzindo, crise financeira e a repercussão das quadriquilhas utilizadas pelo nove vezes campeão mundial Kelly Slater.

 

Qual o motivo dessa sua passagem pela Austrália?

 

Gosto de vir pra cá porque a Austrália tem vários designers interessantes, vários surfistas bons. Então, é um lugar em que realmente gosto de trabalhar. Aqui tem boas ondas, o clima é ótimo e tenho vários amigos. A maioria dos meus amigos é de Sydney, morava lá antes. A demanda está muito boa, crescendo todo ano. A Austrália sempre foi um dos países mais fortes em termos de surf, em evolução de pranchas de surf.

 

Por que trocou o Brasil pelos Estados Unidos?

 

Morei aqui na Austrália muito tempo atrás, durante quatro anos, entre 83 e 87. Na verdade, passava uns cinco meses por aqui e o resto do tempo no Japão. Aí, depois me fixei nos Estados Unidos. Lá é mais fácil você iniciar e ter negócios, além de o país ser centralizado pra você viajar pelo planeta Terra. Aqui é muito longe de tudo e nos Estados Unidos eu fico próximo da Europa, da Ásia. Não é tão longe da América do Sul. Então esse foi um dos motivos de eu ter ido morar lá. Prefiro o estilo de vida daqui, as ondas daqui também e tudo. Mas, como negócio sei que foi melhor ter mudado para os Estados Unidos. Tenho certeza disso hoje em dia.

 

Como você analisa o mercado de pranchas do Brasil desde que saiu até agora?

 

O Brasil hoje em dia é um dos países emergentes. O sistema econômico é um dos que mais cresceu nos últimos três, cinco anos. Então, quer dizer, mudou mudou, né? Saí há 27 anos e não tinha nem fábrica de espuma. O que tinha era escasso. Chegava o verão e a gente não tinha espuma pra produzir prancha. Então eu sempre estocava no inverno. Hoje em dia, você não tem esses problemas no Brasil. Mudou muito, né? Placa tem à vontade, melhor qualidade do mundo a espuma brasileira... Tem umas fábricas que estão lá e são muito mais profissionais do que antigamente, no tempo em que fui embora. Em termos de produção, a fabricação de pranchas cresceu muito. A qualidade está bem melhor, está compatível com o que tem por aí pelo planeta Terra. Acho que o mercado lá, não vou dizer que é um dos melhores do mundo, pois o país não tem a melhor economia do mundo, mas também não é tão ruim quanto outros lugares pelos quais já andei viajando.

 

Onde você costuma produzir suas pranchas?

 

Eu vou ao Brasil, com certeza pra trabalho, umas duas ou três vezes ao ano. Venho pra cá (Austrália) duas vezes ao ano, Estados Unidos... Eu ia direto a Portugal, mas como não estava tendo muito tempo pra vir pra cá, eu priorizei vir mais para a Austrália do que para Portugal, então ultimamente dei uma parada ali em Portugal. Mas, talvez eu volte lá. Sempre tem demanda, sempre tem o pessoal pedindo pra shapear em outros lugares do mundo, mas é questão de tempo também e eu tenho que tomar conta dos meus negócios nos Estados Unidos. Então, eu vejo os mercados que dão mais retorno pra mim, que eu sinto mais vontade de ir por questão de onda. Tem várias coisas envolvidas ? surfistas, pessoal que está lá trabalhando... Mas, que eu gostaria de ir para a Europa sempre? Gostaria. Tem a América Central também, Costa Rica, Caribe e outros lugares assim, mas a questão é não ter tempo.

 

Você vem sentindo dificuldades com a crise financeira?

 

Nos Estados Unidos a coisa está muito ruim, pior do que o pessoal de fora está vendo nas notícias. Geralmente as notícias exageram o acontecimento. Tem uma coisa e eles fazem 10 vezes maior, mas hoje em dia está o contrário. Realmente a situação econômica lá dentro está pior do que o pessoal tem lido aí nas notícias. Passei o Natal e Ano Novo no Brasil, fiquei nos Estados Unidos no fim de janeiro e fevereiro e, se eu não era o que estava mais produzindo ali em San Diego, era um dos que estava mais produzindo no Sul da Califórnia. O negócio está preto mesmo. Pelo que eu vi ali, produzindo prancha agora, pelo que conversei, eram eu, o Al Merrick estava indo muito bem ? tem muito dinheiro por trás dele porque não é o Al Merrick mais, e sim a Burton, uma companhia de snowboard. Lá está sério. Aqui foi na boa, Brasil também foi na boa. Eu converso com o pessoal lá e a economia não está ruim quanto nos Estados Unidos.

 

Para quem ainda não está por dentro, você pode explicar qual a relação entre a Burton e a Al Merrick?

 

A Burton é dona da Channell Islands ? marca do Al Merrick ? há uns três anos e está querendo criar um monopólio no mercado, pelo menos nos Estados Unidos, e claro que eles vão entrar pesado com roupa. Por isso estão tendo tantos atletas, gastando tanto dinheiro em marketing e em pranchas, porque depois eles vão virar tudo isso em roupa e o que for. Além de eles fazerem isso, tem o Joel Tudor (longboarder). Eles agora vão produzir a marca do Joel Tudor na América também, de repente ele comprou a marca, vai saber. Vão pagar licenciamento da marca para o Joel Tudor. Outra coisa que escutei que eles vão começar a fazer, já ouviu falar nessa história de que Kelly Slater está shapeando prancha?

 

Sim, ele fala que produziu as quadriquilhas dele.

 

Palhaçada. É que eles vão fazer uma marca do Kelly Slater, para eles terem mais uma marca ainda dentro do Burton e ter como pagar ao Kelly Slater depois que ele se aposentar ali no circuito. Como o Joel Tudor é um surfista e nunca tocou talvez numa placa de prancha ou talvez tocou só pra dizer que tocou, mas quem fabrica são outros shapers, eles vão fazer a mesma coisa com o Kelly Slater. Vão dizer ?Ah, vai lá com o Al Merrick, pega a lixinha e tal?, mas na verdade, quem está fazendo é o Al Merrick ou algum outro shaper por trás, e vai ser mais uma marca que está no guarda-chuva da Burton Snowboard, uma companhia de snowboard, não de surf.

 

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