O sonho do surfe no palanque e nas telas

Por Fernando Gaspar em 26/10/04 05:46 GMT-03:00

Mario Cesar Pereira Carneiro e suas obras na praia do Leblon. Foto: Roberto Price / Arquivo Pessoal Maritmo.
Quem esteve na I Mostra Internacional da Arte e Cultura Surf, realizada em São Paulo em julho, pôde apreciar quatro quadros do pintor Maritmo. E é provável que muitos leitores da revista Alma Surf, que viram as pinturas dele na última edição (set/out 2004), não tenham idéia de que a história de vida desse pintor carioca de 53 anos teve um importante papel no crescimento do surfe no Brasil nas últimas três décadas.

 

Mario Cesar Pereira Carneiro, o artista Maritmo, teve desempenho estratégico no crescimento do surfe na década de 70, quando o Rio de Janeiro era ainda a principal locomotiva do esporte, concentrando os mais poderosos veículos especializados da época.

 

5º Waimea 5000, circuito mundial IPS - Prainha (RJ), jul / ago/ 1981. Cheyne Horan, Ricardo Castro, Mario Cesar Pereira Carneiro e Mark Richards. Foto: Fred Rosário / Arquivo Pessoal Maritmo.
Na ocasião, Mario trabalhou como representante comercial de todas publicações de surfe de peso: Brasil Surf, Visual Esportivo e a revista Realce.

 

Numa época em que o surfe experimentava um boom de crescimento, mas ainda encontrava forte resistência à abertura de espaços na chamada grande mídia, Mario conseguiu abrir portas para noticias favoráveis ao esporte nos maiores grupos de comunicação do Rio de Janeiro.

 

Ele foi provavelmente o primeiro surfista brasileiro a transitar entre algumas das maiores figuras da imprensa brasileira, aproveitando com talento as oportunidades para vender uma imagem positiva do esporte.

 

 

Esquerda de sonhos - pintura digital. Foto: Reprodução Maritmo.
Além de possuir trânsito total dentro do Jornal do Brasil, Mario desfrutava de portas abertas nos corredores da TV Globo.

 

Tal prestígio tinha explicação: Mario era sobrinho-neto da Condessa Pereira Carneiro, dona do Jornal do Brasil e uma das mais carismáticas figuras da imprensa brasileira.

 

O sobrenome ilustre abria portas de relacionamento para Mario, normalmente fechadas aos demais surfistas.

 

E por ser dotado de refinamento e fluência diante de empresários, presidentes e políticos, Mario impressionava favoravelmente os interlocutores.

 

"Era comum pessoas da imprensa dizerem que eu nem parecia um surfista, já que eu sempre trabalhava de terno e gravata, tamanho o preconceito contra os surfistas. As pessoas achavam que um surfista jamais seria capaz de sentar numa mesa de negócios e falar de forma fluente, sem maneirismos ou gírias praianas", conta.

 

Aproveitando-se do ótimo relacionamento e faro comercial, Mario começou a fechar vários anúncios para as revistas que representava.

 

Numa de suas iniciativas, ele negociou a publicação do logotipo da Rede Globo naquele que seria o primeiro pôster-calendário publicado numa revista brasileira, a clássica Brasil Surf.

 

Com o tempo, Mario passou a ser uma espécie de assessor de imprensa informal do surfe, sempre 'plantando' notícias sobre o esporte nos jornais, principalmente no JB, onde tinha livre acesso à redação.

 

A Condessa Pereira Carneiro costumava dizer que para pedir alguma coisa no jornal, ele nem precisava ir até ela. Bastava falar com os chefes da redação para que o atendessem, no caso de possuir uma pauta boa.

 

Clique aqui para ver a galeria de fotos do surf-artista Maritmo.

 

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