O sonho do surfe no palanque e nas telas
![]() Mario Cesar Pereira Carneiro e suas obras na praia do Leblon. Foto: Roberto Price / Arquivo Pessoal Maritmo. |
Mario Cesar Pereira Carneiro, o artista Maritmo, teve desempenho estratégico no crescimento do surfe na década de 70, quando o Rio de Janeiro era ainda a principal locomotiva do esporte, concentrando os mais poderosos veículos especializados da época.
![]() 5º Waimea 5000, circuito mundial IPS - Prainha (RJ), jul / ago/ 1981. Cheyne Horan, Ricardo Castro, Mario Cesar Pereira Carneiro e Mark Richards. Foto: Fred Rosário / Arquivo Pessoal Maritmo. |
Numa época em que o surfe experimentava um boom de crescimento, mas ainda encontrava forte resistência à abertura de espaços na chamada grande mídia, Mario conseguiu abrir portas para noticias favoráveis ao esporte nos maiores grupos de comunicação do Rio de Janeiro.
Ele foi provavelmente o primeiro surfista brasileiro a transitar entre algumas das maiores figuras da imprensa brasileira, aproveitando com talento as oportunidades para vender uma imagem positiva do esporte.
![]() Esquerda de sonhos - pintura digital. Foto: Reprodução Maritmo. |
Tal prestígio tinha explicação: Mario era sobrinho-neto da Condessa Pereira Carneiro, dona do Jornal do Brasil e uma das mais carismáticas figuras da imprensa brasileira.
O sobrenome ilustre abria portas de relacionamento para Mario, normalmente fechadas aos demais surfistas.
E por ser dotado de refinamento e fluência diante de empresários, presidentes e políticos, Mario impressionava favoravelmente os interlocutores.
"Era comum pessoas da imprensa dizerem que eu nem parecia um surfista, já que eu sempre trabalhava de terno e gravata, tamanho o preconceito contra os surfistas. As pessoas achavam que um surfista jamais seria capaz de sentar numa mesa de negócios e falar de forma fluente, sem maneirismos ou gírias praianas", conta.
Aproveitando-se do ótimo relacionamento e faro comercial, Mario começou a fechar vários anúncios para as revistas que representava.
Numa de suas iniciativas, ele negociou a publicação do logotipo da Rede Globo naquele que seria o primeiro pôster-calendário publicado numa revista brasileira, a clássica Brasil Surf.
Com o tempo, Mario passou a ser uma espécie de assessor de imprensa informal do surfe, sempre 'plantando' notícias sobre o esporte nos jornais, principalmente no JB, onde tinha livre acesso à redação.
A Condessa Pereira Carneiro costumava dizer que para pedir alguma coisa no jornal, ele nem precisava ir até ela. Bastava falar com os chefes da redação para que o atendessem, no caso de possuir uma pauta boa.
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