Barbara Müller
Outside em família
Minha mãe se chama Danila, meu pai Rúbio e meu irmão Thiago (Müller). Quando pequenos, morávamos nos EUA devido ao trabalho do meu pai, mas não tínhamos nenhum contato com o mar e a praia.
Foi então que um dia meus pais resolveram mudar de vida, até porque quando morávamos no Brasil era no interior de São Paulo. Agora todos queriam ficar perto do oceano. Fomos morar em Balneário Camboriú (SC).
Todos nós queríamos aprender a surfar, então começamos todos juntos. Eu com 12 anos, meu irmão com quase 13, minha mãe com 40 e meu pai com 44. A brincadeira deu certo e começamos a competir nos eventos locais da nossa cidade.
Minha mãe possui troféus e bons resultados do circuito catarinense de longboard. Meu pai também se apaixonou pelos pranchões e foi campeão catarinense na categoria Master. Já eu e meu irmão nos tornamos surfistas profissionais.
Enquanto Thiago compete nos eventos do ASP Star (antigo WQS), eu fui campeã brasileira amadora em 2009, participei de alguns mundiais da ISA (International Surfing Association) com bons resultados e sou patrocinada pela Oakley há quatro anos.
A base disso é que tudo começou com muita paixão. Desde o início tínhamos o sonho de surfar na Indonésia. Durante os últimos anos, economizamos em tudo que podíamos para um dia realizá-lo.
Decidimos partir para Bali no dia 12 de julho. Eu e meu namorado Hugo saímos da Austrália, onde estávamos há mais de quatro meses e lá encontramos com os meus pais, meu irmão e sua namorada Inaê.
A viagem começou em Nusa Dua. Ficamos em um hotel legal e aproveitamos para celebrar os 25 anos de casados dos meus pais. Depois de uma semana, resolvemos ir a Uluwatu para surfarmos mais. Surfei por uns três dias até o famoso "Bali Belly" me atacar.
Bali Belly é uma infecção que dizem ser da água, frutas ou saladas. Ela deixa a pessoa totalmente debilitada, a Inaê também teve essa má sorte. Nós duas ficamos por mais de dez dias de cama. Sem poder surfar, obviamente.
Enquanto isso, a família não deixou de aproveitar o lugar ao máximo, claro. Fomos então para a ilha de Nusa Lembongan, onde rolam altas ondas. Ainda estávamos muito doentes, então chamamos um médico e levamos injeções e mais outros medicamentos. Eles pareciam não adiantar, pois não melhorávamos nunca.
Mesmo assim resolvi tentar surfar. Fomos para a onda de Shipwreck, uma direita perfeita na qual me adaptei bem. Logo depois comecei a melhorar e no mesmo dia fui mergulhar. Me apaixonei pelos peixes e corais coloridos! Já me senti melhor e arrastei a Inaê para mergulharmos, foi isso que nos curou. Surfamos lá por cinco dias, pois a jornada já estava no fim.
Apesar de algumas coisas não terem sido como queríamos, a viagem foi perfeita. Aproveitamos muito e para sempre ela será lembrada. Celebramos o que o surf fez para as nossas vidas. Se não fosse este esporte, talvez não seríamos tão felizes e unidos como somos.