Mercedes Maidana

Hermana boa de braço

Por Redação Waves em 14/01/10 23:02 GMT-03:00

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Mercedes Maidana, Waimea Bay, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Bidu.
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Mercedes Maidana, Waimea Bay, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Bidu. Mercedes Maidana, Waimea Bay, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Bidu. Mercedes Maidana, Waimea Bay, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Bidu. Mercedes Maidana, Waimea Bay, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Bidu. Mercedes Maidana, Pupukea, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Arquivo Pessoal. Mercedes Maidana, Pupukea, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Arquivo Pessoal. Mercedes Maidana, Rocky Point, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Arquivo Pessoal. Mercedes Maidana, Sunset Beach, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Arquivo Pessoal. Mercedes Maidana, Waimea Bay, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Arquivo Pessoal. Mercedes Maidana, Waimea Bay, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: James Carlyle. Mercedes Maidana, Waimea Bay, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Kim. Mercedes Maidana, Waimea Bay, North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Terry Reis. Mercedes Maidana, El Buey, Chile. Foto: Tomate Peralta. Mercedes Maidana, Darrick Doerner e Silvia Nabuco, Hawaii. Foto: Arquivo Pessoal. Mercedes Maidana, Hawaii. Foto: Gregg Miller. Mercedes Maidana, Hawaii. Foto: Gregg Miller. Mercedes Maidana, Hawaii. Foto: Buck Shreck.

A argentina Mercedes Maidana há cinco anos vive no Hawaii, onde treina forte para aperfeiçoar o surf de remada em ondas grandes.

Inspirada nos irmãos Igor e Jairo Lumertz, esta alegre argentina não puxa o bico quando o assunto é Waimea Bay e Sunset Beach.

Na entrevista abaixo, Mercedes conta como é sua vida no Hawaii e a sessão em Waimea registrada pelo fotógrafo Bidu, a melhor queda de sua vida.

Como está a temporada de ondas grandes no Hawaii? Onde você tem surfado mais?

A temporada está sendo incrível, nunca vi coisa assim! As ondas não param e já tivemos várias ondulações grandes ou gigantes. É a primeira vez que perdi algumas caídas porque meu corpo estava cansado demais e tinha que me recuperar. Surfei muito em Waimea Bay e alguns dias fiz tow-in em outer-reefs.

Como foi a session em Waimea registrada pelo fotógrafo Bidu?

Foi um dia depois do Quiksilver em Memória de Eddie Aikau. O mar estava baixando rápido, mas estava limpo e muito lindo. O Igor Lumertz me mandou nesta onda e tive a sorte de estar sozinha. Não foi gigante nem nada assim, mas com certeza foi uma das ondas mais lindas da minha vida. Fiquei super feliz.

Qual a sensação de dividir o line up com os maiores big riders do mundo?


É uma grande honra surfar junto com grandes nomes do surf mundial. Às vezes estou na água e nem acredito com quem estou surfando. Eu aproveito muito para aprender com os melhores, olho o que eles fazem, onde se posicionam no pico, que pranchas usam. Absorvo tudo o que puder para evoluir no surf.

Como é a preparação para encarar as ondas grandes?

Muito treino. No verão aproveito para nadar, correr, andar longas distâncias de bicicleta, mergulhar, faço muita Bikram Yoga e exercícios com peso nas pernas.

Agora na temporada é muito surf, mas sempre que posso vou para a academia e passo umas quatro horas fazendo de tudo.

Maya Gabeira tem sido a campeã do Billabong XXL nos últimos anos e abriu caminho para outras garotas da América do Sul. Você acha que pode chegar lá também?

Sim, nada é impossível neste mundo né? A realidade é que para chegar neste nível é necessário ter uma boa estrutura e bons patrocínios para viajar atrás de ondas gigantes, ter jet-skis disponíveis e obviamente fotógrafos.

Eu não tenho nada disso ainda, meu foco está em melhorar o surf de ondas grandes e confiar que Deus tem seus planos para mim. Talvez não seja o caminho do XXL que eu vá seguir no futuro, mas por hora isso me serve muito para ir atrás dos patrocínios.

Como você define seu surf?

Acho que sou muito tranquila e paciente. Tento evoluir o meu nível, sabendo do meu limite e puxando ele aos poucos. Tento cair em mares onde eu sei que eu pertenço. Para mim o mais importante é desfrutar o surf e me divertir.

Você tem se destacado como free surfer. Pensa também em competir?

 
Entrar em um campeonato nunca me chamou a atenção. Acho que ficaria muito estressada com todo mundo me olhando! O único tipo de competição que fiz é o XXL, onde só tenho que mandar fotos ou vídeos.

No futuro acho que gostaria de entrar em algum campeonato de onda grande na remada, mas ainda tenho muito para melhorar e crescer.

Quais surfistas te inspiram a surfar ondas grandes?

São muitos, mas os que me inspiram mais e eu tenho perto na minha vida são Darrick Doerner, Clark Abbey, Igor e Jairo Lumertz, Andrew Marr e Kohl Christensen.

Admiro muito a coragem e o talento deles. São todos bem diferentes, mas de um jeito ou de outro me inspiram muito.

Por onde você passou antes de chegar ao Hawaii?

Passei várias vezes pelo Brasil, Costa Rica, Nicarágua, Austrália e Indonésia.

Você tem algum apoio na Argentina ou tem algum trabalho para se manter no Hawaii e em outros lugares?


Não tenho apoio econômico de nenhuma empresa ainda. Sempre trabalhei nos lugares onde passei e moro no Hawaii há cinco anos. Aqui trabalhei muito limpando casas, mas no último ano me cansei e comecei a trabalhar como baby sitter (babá).

Qual a maior barreira para uma mulher sul-americana vencer e se estabelecer no surf internacional?

Eu não penso que por ser sul-americana tenho menos privilégios. Eu acho que o surf tem que falar sozinho, não importa de onde seja.

Acho que as barreiras talvez no meu caso não sejam por ser latina, são por querer entrar em um clube muito fechado, onde quase não há mulheres. Graças a Deus que a Maya está abrindo o caminho para provar as empresas que se pode fazer marketing de meninas em ondas grandes.

Existe machismo no meio do surf ou a galera tem uma atitude moderna em relação às meninas no mar?

Já passei cada coisa em Sunset! Nos primeiros anos tive que buscar meu lugar no line up, não conseguia pegar as boas e alguns locais foram muito machistas comigo.

Mas hoje tenho meu lugar em Sunset e Waimea e me sinto em casa no line up. Nunca fui de pensar que por ser menina tenho privilégios, sou apenas mais um surfista na água e os caras respeitam isso.

Qual seu pico preferido?

Eu amo muito a onda de Sunset Beach. É tão difícil surfar ela, mas quando acontece é muito satisfatório. Waimea Bay também me faz muito feliz.

Qual seu maior sufoco no mar até hoje e onde foi sua melhor performance?

Já passei vários sufocos, mas nada realmente traumático. O máximo foi me assustar muito com ondas maiores das que esperava em Waimea e abrir minha cabeça em Sunset em um dia cedo, sem ninguém na água.

Minha melhor performance não foi só em uma onda ou em um dia, é uma evolução para mim. Esta temporada puxei meus limites mais do que imaginava.

Várias vezes também tive que aceitar minhas limitações e não cair em mares que eram grandes para mim. Mas, para responder sua pergunta, eu acho que minhas melhores caídas foram a do dia depois do Eddie em Waimea bem cedo e um dia de tow in com Silvia Nabuco e Darrick Doerner em The Rock, tava de 4 a 6 metros.

Outra boa foi uma onda que tive a sorte de pegar em Peahi. Era um dia super pequeno em Jaws, mas apareceu uma esquerda do nada, que foi a maior onda da minha vida até hoje.

Como você lida com o medo quando o mar está realmente grande?

Na verdade ainda estou aprendendo como lidar com meu medo. Às vezes ele é a minha maior barreira, mas também é um mecanismo de preservação. Eu tenho antes de tudo que perguntar a mim mesma se eu quero cair em um mar gigante e porque quero fazer isso.

Quando estou no mar em situações difíceis, penso que é para isso que eu treino tanto, que eu estou bem e que já passei por coisas similares e vou sair bem dessa. Está tudo na mente.

No que você acha que pode melhorar o seu surf?


Tudo. Eu me sinto uma aprendiz ainda. Surfo faz oito anos e não me considero craque em nenhuma modalidade do surf (risos)!

Em onda grande tenho muito para melhorar: dropar maiores ondas, me posicionar mais para o fundo. No tow-in tenho que surfar em vez de sobreviver (risos)!

Quer dar algum recado para a galera brasileira? 

Obrigada à galera do Waves. Um grande Aloha para todos os brasileiros que compartilham suas ondas comigo no dia a dia do North Shore!

Mercedes Maidana tem apoio da Wavetribe, Patagonia e Kyle Bernhardt surfboards. Clique aqui para acompanhar o blog da atleta.

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